O senador Flávio Bolsonaro (PL) se reuniu pela primeira vez, há 15 dias, com o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, em busca de apoio para sua candidatura presidencial. A conversa, no entanto, não foi positiva. Há arestas entre os partidos e a tendência hoje é que a sigla fique neutra na eleição, sem declarar apoio a nenhum candidato no primeiro turno.
Segundo integrantes do Republicanos ouvidos pela Folha sob reserva, o diálogo entre Pereira e Flávio não foi bom. Não houve clima nem sequer para discutir a entrada formal do partido no palanque do pré-candidato do PL ao Palácio do Planalto. O deputado e o senador nunca foram próximos.
O encontro ocorreu após Pereira se queixar publicamente de que não tinha sido procurado por Flávio desde que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) o escolheu como pré-candidato em dezembro. Além disso, reclamou da tentativa do PL de filiar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e de não ouvir o Republicanos na composição das chapas, como a do Rio de Janeiro.
"Eu não vou dizer que foi um erro, mas é o estilo deles. Foi, poderia dizer, talvez falta de habilidade. Cada um toma a decisão. Não é uma coisa que ajuda no debate, na aproximação", afirmou o presidente do Republicanos à Folha no fim de fevereiro.
A decisão de lançar Flávio como candidato sem consultar os demais partidos de direita e centro-direita era outra queixa de Pereira e de dirigentes de partidos do centrão.
"Eu recebi um telefonema do Flávio no dia seguinte que ele anunciou [a candidatura presidencial], convidando para um jantar com os demais presidentes. Eu não pude ir. Quando eu cheguei, eu mandei mensagem, ‘já cheguei em Brasília, estou à disposição’, até hoje não recebi resposta", contou o presidente do Republicanos na mesma entrevista.
Os partidos tiveram uma contenda pública no fim do ano passado, quando o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), cobrou que Tarcísio mudasse de partido. Pereira respondeu publicamente em janeiro. "Diferentemente de outros partidos, nunca constrangemos o governador, nunca o expusemos publicamente. (...) Nossa atuação sempre foi de lealdade, responsabilidade e estabilidade política — na Alesp e no Congresso Nacional."
Embora refute participação no governo Lula (PT), o Republicanos tem como representante o ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, que é deputado federal licenciado e vai deixar o cargo até 4 de abril para disputar a reeleição. Ele deve ser substituído pelo secretário-executivo, Tomé Monteiro da Franca, que também é próximo da cúpula do partido.
Pereira ainda recebeu um convite do presidente do PT, Edinho Silva, para uma conversa e ambos devem se encontrar logo após o fim da janela partidária, que termina em 4 de abril. Apesar disso, segue improvável uma coligação entre os dois partidos, mas a neutralidade já ajudaria Lula a enfraquecer a candidatura de Flávio.
Essa é a tendência atual, segundo Pereira tem dito a aliados. O partido deve liberar os diretórios estaduais para que façam campanha para quem quiserem, de modo a evitar um conflito entre as alas mais próximas ao PT e as mais conservadoras. A decisão só será tomada em julho, nas convenções.
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O Republicanos tem uma ala mais à direita, liderada por figuras como os senadores Damares Alves (DF) e Hamilton Mourão (RS). Ambos tiveram papel de destaque no governo Bolsonaro. Ela como ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos e ele na vice-presidência da República.
Por outro lado, a legenda tem um grupo mais lulista, concentrado principalmente no Nordeste. Para essa ala, qualquer associação a Flávio Bolsonaro pode representar uma dificuldade na eleição, num momento em que a sigla se concentra em eleger o maior número de deputados e senadores.
Um dos integrantes deste grupo é o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (PB), que tem se aproximado cada vez mais de Lula em busca de apoio para eleger seu pai, Nabor Wanderley (Republicanos), para o Senado na Paraíba –estado onde o petista venceu por larga margem a eleição de 2022 contra Bolsonaro.
A tentativa de aproximação de Flávio com o Republicanos, com uma primeira conversa, demonstra um interesse do PL em atrair partidos do centrão para sua chapa. Isso significaria ter mais tempo de propaganda eleitoral na TV e rádio. Essas legendas, no entanto, resistem à aproximação imediata e pretendem tratar do assunto só mais a frente.
As siglas com mais chance de adesão formal à campanha bolsonarista são o PP de Ciro Nogueira e o União Brasil de Antônio Rueda –que são também alvo das principais investidas de Flávio neste início de pré-campanha.

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