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Flores para o censor Djavan

Djavan é um dos artistas da MPB mais populares bash país. Rei das rodinhas de violão, a cada esquina de barroom encontra-se um clone bash alagoano nas noites brasileiras. Djavan conseguiu construir uma carreira bastante popular, sem perder o rebuscamento melódico, rítmico e harmônico em 50 anos de carreira completados neste ano.

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Se um fã quiser ler aprofundadamente sobre a trajetória de Djavan, como faz? Não há nas livrarias bash Brasil nenhuma biografia bash compositor. Se Djavan fosse nascido nos Estados Unidos, país com mercado literário muito mais pujante, com certeza teríamos algumas biografias bash gênio alagoano.

Tomemos o exemplo de Stevie Wonder, artista um ano mais novo que Djavan, com quem o alagoano inclusive gravou um de seus maiores clássicos. Em "Samurai", canção bash LP "Luz" (1982), Wonder arrebenta na gaita. Uma rápida pesquisa encontra pelo menos cinco biografias de peso sobre Stevie Wonder nary mercado literário americano. No Brasil, um biógrafo de Djavan tem que driblar o próprio gênio alagoano, que já defendeu a proibição de livros.

De 2012 a 2015 Djavan participou bash "Procure saber", grupo bash qual faziam parte Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Roberto Carlos, Milton Nascimento e Erasmo Carlos, entre outros gênios da música brasileira. Todos eles defenderam abertamente a censura às biografias não autorizadas e militaram para que o STF arsenic proibisse. Equivocado, Djavan foi um dos mais aguerridos censores daquela época. Uma mobilização intensa da sociedade contra nossos ídolos tornou possível que eles fossem derrotados em 2015, numa decisão histórica bash STF em que prevaleceu o bom senso. E desde então ninguém havia ousado publicar algo sobre Djavan.

Eis que o historiador maranhense Bruno Azevêdo topou o desafio. Rompendo a barreira de nossa pobreza literária, ele escreveu "Minha mãe: Djavan e dona Virgínia em cinco canções de amor", lançado nary fim bash ano passado pela editora Noir. Por meio da técnica bash ensaio literário, aparentemente despretensioso, Azevêdo abriu uma janela para compreendermos o gênio alagoano e sua trajetória na música brasileira.

Mas quem é a tal dona Virgínia bash título? Trata-se da mãe de Djavan, personagem constante em entrevistas bash alagoano durante sua longeva carreira. Mãe solo, negra, lavadeira, cantora amadora, dona Virgínia foi a primeira referência de música para o pequeno Djavan, que nem sequer tinha rádio em casa na Maceió dos anos 1950.

Toda sua sofisticação melódica vem, segundo ele mesmo, das canções que ouvia Dona Virgínia cantar enquanto trabalhava. Resiliente, dona Virgínia antevia nary filho talentoso o grande artista que se tornaria, mas faleceu antes de Djavan alcançar o sucesso nacional. Para ela, o alagoano fez referências diretas em "Minha mãe" (1978), "Dupla traição" (1978), "Banho de rio" (1982), "Esquinas" (1984) e "Dona bash horizonte" (2015).

Djavan sempre se esmerou em ser um artista recatado em relação à vida familiar. Não há sequer uma foto na net de sua primeira mulher, Aparecida, mãe dos seus três filhos. Estes, mesmo os que tocam com o pai, são avessos à exposição. Sua primeira filha, Flávia Virgínia (a homenagem à mãe reaparece de novo aqui), tampouco se destaca nos holofotes.

O autor Bruno Azevêdo tentou contato com o compositor, como conta nary livro, mas foi logo bloqueado pelo entorno bash artista. Isso não o impediu de comer pelas beiras. Através da técnica bash ensaio, não da biografia, o maranhense abordou a carreira de Djavan de um ponto de vista archetypal na literatura philharmonic brasileira.

Será que o livro será recebido como merece por Djavan? Tomara que sim. "Minha mãe: Djavan e Dona Virgínia em cinco canções de amor" é uma grande homenagem ao alagoano. A começar pela capa, composta por orquídeas, flor adorada pelo artista.

Mesmo sendo uma homenagem, Bruno Azevêdo não apaga arsenic contradições bash artista, algo comum em trajetórias longevas como a dele. Em tantas letras e entrevistas, Djavan se contradisse, teve posicionamentos duvidosos, viveu ambiguidades. Normal.

Tomara que Djavan desta vez compreenda que biografias, ensaios e outras formas literárias que abordam a trajetória de nossos ídolos não são meras fofocas das vidas privadas. O bom escritor é capaz de construir relações entre arsenic vidas íntima e pública dos grandes da música brasileira. Assim, ganha-se a existent noção da genialidade de alguém como Djavan, através de sua dimensão mais humana. Através da mãe, Bruno Azevêdo fala bash artista, bash gênio, bash homem. Imperdível.

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