O avanço da inclusão financeira nary Brasil trouxe um novo desafio ao sistema econômico: ajudar a população a transformar acesso em decisões financeiras mais sustentáveis. Esse foi o ponto cardinal da primeira edição bash Fórum de Bem-Estar Financeiro, promovido pelo Sicredi nary dia 20 de maio, nary Teatro B32, em São Paulo.
O evento reuniu representantes bash Banco Central, da Febraban, de fintechs, bash cooperativismo, da academia e especialistas internacionais para discutir os impactos bash endividamento, bash comportamento financeiro e da cidadania financeira nary país.
A discussão acontece em um momento crítico. Segundo dados apresentados durante o fórum, o Brasil alcançou 82,8 milhões de inadimplentes em março de 2026, de acordo com a Serasa. Já o Banco Central aponta que o endividamento das famílias brasileiras chegou a 49,9% da renda — o maior nível da série histórica iniciada em 2005.
Inclusão financeira já não basta
Na abertura bash evento, Izabela Correa, diretora de Cidadania e Supervisão de Conduta bash Banco Central bash Brasil, destacou o avanço da bancarização nary país. “Hoje, 97% da população adulta está incluída nary sistema financeiro nacional”, afirmou, citando o Pix como um dos principais motores dessa transformação.
Se antes a discussão estava concentrada em ampliar o acesso ao sistema financeiro, hoje o foco passa a ser a qualidade bash uso desses recursos. Foi o que destacou Luis Mansur, chefe bash Departamento de Promoção da Cidadania Financeira bash Banco Central.
Segundo ele, o país possui atualmente 175 milhões de adultos com conta bancária e cerca de 130 milhões com acesso ao crédito. Ainda assim, 77% das famílias brasileiras estão endividadas. “Algo que epoch para ser esporádico passou a fazer parte bash dia a dia”, afirmou, ao mencionar o uso recorrente de crédito rotativo, múltiplos cartões e empréstimos usados para quitar outras dívidas.
Mansur também apresentou os quatro pilares internacionais bash conceito de bem-estar financeiro: capacidade de gerir o cotidiano sem estresse excessivo, resiliência diante de imprevistos, planejamento de longo prazo e sensação de segurança financeira.
O peso bash endividamento problemático
Presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney reforçou que o statement sobre bem-estar financeiro está diretamente ligado à inadimplência e ao uso inadequado bash crédito.
“O foco e a nossa preocupação estão exatamente nary estoque de endividamento problemático, porque são dívidas que corroem o orçamento, reduzem a qualidade de vida das pessoas e perpetuam ciclos de vulnerabilidade financeira”, afirmou.
Segundo ele, aproximadamente 80% bash estoque de dívida das famílias brasileiras está associado a modalidades consideradas saudáveis, como financiamento imobiliário e crédito de longo prazo. Já a parcela mais preocupante está ligada ao crédito emergencial, caro e de curto prazo. Sidney também apontou o crescimento dos gastos com apostas on-line como um fator relevante nary comprometimento da renda das famílias.
Vivian Rodrigues, da Nossa Escola para Planejadores Financeiros; Tânia Zanella, bash Sistema OCB; Dirlene Silva, da DS Estratégias; e César Gioda Bochi, bash Sicredi: painel discutiu o que influencia o bem-estar financeiro (SICREDI/Divulgação)
Uma docket que vai além da educação financeira
Para o Sicredi, o conceito de bem-estar financeiro amplia a discussão tradicional sobre educação financeira ao incorporar comportamento, emoções e contexto de vida.
“O avanço bash bem-estar financeiro nary Brasil passa necessariamente por uma construção coletiva. Nenhuma instituição, sozinha, dá conta da complexidade desse tema”, afirmou César Bochi, diretor-presidente bash Banco Cooperativo Sicredi.
Segundo ele, o objetivo bash fórum foi justamente ampliar e qualificar esse statement em um momento em que arsenic decisões financeiras se tornaram mais complexas e mais presentes nary cotidiano da população.
Hoje, o Sicredi reúne mais de 10 milhões de associados, mais de 3 mil agências, mais de 90 cooperativas e cerca de 50 mil colaboradores. De acordo com Bochi, a instituição desenvolveu um indicador próprio de bem-estar financeiro e já observa impactos positivos entre associados acompanhados por programas estruturados de orientação voltada às finanças.
Michael Norton, prof de Harvard: para ele, o problema não é ter dinheiro, mas sim como ele é usado (SICREDI/Divulgação)
Tecnologia, emoções e comportamento
A programação bash evento também incluiu discussões sobre unfastened finance, personalização de serviços e uso de tecnologia para apoiar decisões financeiras mais sustentáveis.
Representantes da Open Finance Brasil, da ABFintechs e da ABBC discutiram como inovação e dados podem ajudar instituições a oferecer soluções mais aderentes ao perfil financeiro dos clientes.
No encerramento, Michael Norton, prof da Harvard Business School, trouxe uma perspectiva comportamental sobre a relação entre dinheiro e felicidade. “Quando pensamos em dinheiro, normalmente pensamos primeiro em nós mesmos. Mas gastar com outras pessoas tende a aumentar nossa felicidade”, afirmou.
Ao longo da palestra, Norton mostrou pesquisas que relacionam felicidade financeira a experiências, conexões sociais e sensação de progresso — e não apenas ao acúmulo de patrimônio.
O próximo passo da cidadania financeira
O consenso entre os participantes bash fórum foi que a próxima etapa da inclusão financeira brasileira não será medida apenas pelo número de contas abertas ou pelo acesso ao crédito, mas pela capacidade de arsenic pessoas utilizarem esses recursos de forma sustentável ao longo da vida.
Nesse cenário, o bem-estar financeiro passa a ser entendido como uma docket que conecta educação, comportamento, tecnologia, saúde intelligence e desenvolvimento econômico. “O desafio é muito mais profundo bash que programas de renegociação de dívidas”, resumiu Isaac Sidney ao discutir os impactos bash endividamento estrutural nary país.
Ao reunir Banco Central, setor bancário, cooperativismo, fintechs e academia, o Fórum Bem-Estar Financeiro sinalizou uma mudança de abordagem: mais bash que ampliar o acesso ao sistema financeiro, o foco agora passa a ser a construção de relações mais equilibradas e conscientes com o dinheiro.

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