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IA mata 'escrevedor de código', mas 5 skills dão sobrevida a programador

Nunca fui uma pessoa a favor desse buzz de 'o dev vai sumir'. Uma coisa que eu concordo é: o dev, como conhecemos em 2020, morreu. Esse cara não vai mais existir. E vai surgir um novo papel. O programador 'escrevedor de código' morreu.
Paulo Pelaez

Parte do discurso catastrófico, diz Pelaez, é alimentado por interesses de mercado e por executivos que se beneficiam da expectativa de mais automação, caso de quem vende infraestrutura para IA. Só que, na prática, ele diz ainda ver alta demanda por desenvolvedores, inclusive nas empresas que fizeram previsões agressivas.

O cara da Anthropic [Dario Amodei] falou em 2024 que, em até seis meses, não teria mais desenvolvedores. Mas você entra no portal de vaga dele e tem mais de 200 vagas abertas, pagando mais de R$ 400 mil
Paulo Pelaez

Ao mesmo tempo em que há a ameaça não concretizada de desenvolvedores substituídos pela IA, a tecnologia já participa da programação. Aos olhos do executivo, isso simboliza ponto de virada entre os profissionais que passarão a ser requeridos.

O programador vai virar um 'AI engineer' ou um 'orquestrador de soluções tecnológicas'. A gente vai deixar de ter um programador e eu vou passar a ter um orquestrador que entende muito bem os conceitos. Você vai ser medido muito mais por quanto entende e se tem contexto para criticar o que a IA está fazendo, se essa solução realmente é a melhor.
Paulo Pelaez

Ao listar as características necessárias a quem continuará requisitado, Pelaez lista cinco pilares:

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  • inglês,
  • fundamentos e arquitetura,
  • visão de produto,
  • domínio de IA e
  • entendimento de negócios.

Com esse pacote, o profissional vira peça difícil de substituir, diz ele.

O próprio CEO vai falar: 'Beleza, a IA faz o que ele fazia, mas, com esse perfil, eu quero esse cara dentro de casa'.
Paulo Pelaez

As movimentações do mercado tendem a afetar os profissionais de forma diferente. Há uma tendência de equipes menores dentro de empresas, já que a IA amplia o que pode ser entregue, e de empresas "de um homem só", com investidores medindo receita por colaborador.

A vida ficará mais difícil para iniciantes, diz. Historicamente, profissional o júnior entrava no mercado escrevendo código, mas as portas passam a ficar menores com a automatização da programação.

Já a demanda por gente experiente pode continuar, mesmo que a IA faça boa parte do trabalho técnico, porque as empresas passam a abrir mais frentes e mais produtos com o mesmo time. O desafio, diz ele, é recrutar "mais e melhor" e adaptar gestão e avaliação de talentos a esse novo ritmo.

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IA revive medo da demissão

O avanço da inteligência artificial começa a mexer com a carreira dos desenvolvedores, curiosamente os profissionais na linha de frente da criação dessa tecnologia. O baque é ainda maior porque, durante a pandemia, esses profissionais viraram peça rara e viram seus salários subirem em ritmo acelerado, conta Paulo Pelaez em entrevista ao novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas.

Fundador e CTO da Lovell, startup que intermedeia a contratação de profissionais de tecnologia, Pelaez diz que a valorização durante a emergência provocada pela Covid-19 tirou dos programadores um receio básico de todo trabalhador. Agora, a IA generativa começa a encurtar prazos e a pressionar empresas a operar com times menores.

O dev perdeu o medo de ser demitido. Não importava se ele estava estudando ou não, se estava entregando 20% do que era necessário. Por quê? Porque a empresa precisava desse cara para colocar a plataforma no ar, para desenvolver mais features. Quando a gente teve poucos devs para uma demanda gigantesca, esse cara se sentiu: 'Tá todo mundo me querendo. Se eu colocar R$ 2.000 a mais no meu salário e o meu gestor não quiser pagar, eu tenho dez empresas que querem pagar'.
Paulo Pelaez

Na era da IA, vale a pena estudar computação? Professor brasileiro responde

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Ainda que ferramentas de inteligência artificial generativa já escrevam até o código de programas de computador, estudar computação não perdeu o sentido, afirma o professor Luís Lamb, em entrevista a Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas.

Para o vice-presidente de pesquisa da Catholic Institute of Technology, universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, a formação na área segue central. Para ele, há uma diferença entre "usar" chatbots para programar e entender como construir sistemas.

Vale mais do que nunca. A inteligência artificial é uma tecnologia de propósito geral, que vai ser aplicada cada vez em mais áreas. Ficou muito fácil utilizar as ferramentas, usar chatbots, modelos de linguagem, gerar imagens, textos, até partes de programas. Mas a questão é a profundidade: como você desenvolve os algoritmos, os sistemas operacionais, os sistemas de computação que criam essas inteligências artificiais. Computação vai muito além do uso das ferramentas: você tem que entender toda a parte científica, matemática, lógica.
Luís Lamb

'IA não está pronta para áreas de risco à vida humana', diz Luís Lamb

A inteligência artificial ainda não é confiável o bastante para operar em áreas em que um erro pode custar vidas, avalia o professor Luís Lamb, em entrevista ao novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas.

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Para o vice-presidente de pesquisa da Catholic Institute of Technology, universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, a IA muda o trabalho de quem programa, sim, mas ainda falha em atividades perigosas.

Se eu estiver numa indústria de alto risco, a gente ainda tem questões muito sensíveis em sistemas de inteligência artificial. É muito arriscado utilizar, por exemplo, na indústria aeroespacial, na indústria de defesa, na indústria médica, controle de energia. São sistemas que têm que funcionar 100% do tempo, com nove ou 10 noves: 99,999999999% de precisão. Você não pode praticamente alucinar nunca. Porque um erro é catastrófico, com custo multibilionário e risco de vida para as pessoas.
Luís Lamb

DEU TILT

Toda semana, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes conversam sobre as tecnologias que movimentam os humanos por trás das máquinas. O programa é publicado às terças-feiras no YouTube do UOL e nas plataformas de áudio. Assista ao episódio da semana completo.

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