Apesar de indicar uma candidatura presidencial própria, Gilberto Kassab permitirá que o PSD monte palanques nos estados conforme a melhor conveniência para eleger a maior bancada possível de deputados federais. Isso significa liberar candidatos a governador a apoiarem o presidenciável que bem entenderem.
No Rio de Janeiro, por exemplo, o prefeito Eduardo Paes (PSD), que pré-candidato ao governo, se lançou na disputa com o compromisso de apoiar a reeleição de Lula (PT). No Amazonas e na Bahia, o PSD também deve integrar a coligação do PT.
De acordo com dirigentes do PSD, não haverá uma obrigação de que os diretórios estaduais deem necessariamente palanque para o presidenciável do partido —que deve ser escolhido entre os governadores Ratinho Jr. (PR), Ronaldo Caiado (GO) e Eduardo Leite (RS).
Em evento na sexta-feira (30), Kassab afirmou que pode chegar a eleger de 80 a 90 deputados federais —hoje o PSD tem 47 em sua bancada. O número de deputados é estratégico para os partidos porque é a base para a proporção da distribuição do fundo eleitoral e partidário.
O PSD deve ter candidatos próprios a governo no Paraná, Santa Catarina, Amazonas, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco, Sergipe e Maranhão, mas o partido não conta ter todos esses palanques para seu presidenciável.
Em Minas, o vice-governador Mateus Simões (PSD) vai apoiar Romeu Zema (Novo), atual governador e pré-candidato à Presidência. Já em Sergipe, o governador Fábio Mitidieri (PSD), que vai disputar a reeleição, tem declarado que irá apoiar a recondução de Lula ao Planalto.
Em Pernambuco, o nome de terceira via não empolga aliados da governadora Raquel Lyra, recém-filiada à sigla de Kassab. Segundo interlocutores, o desejo é um acordo com Lula para que ela não se prejudique na tentativa de reeleição. O estado é amplamente lulista, dando 66,9% dos votos válidos ao petista em 2022.
Na última eleição, Raquel não declarou apoio a Lula ou Bolsonaro, mantendo neutralidade. Desde que assumiu o cargo, porém, vem dando demonstrações de interesse numa aproximação com o petista.
Em alguns estados, porém, a situação é a oposta —o presidenciável do PSD pode ser uma alternativa para candidatos a governador que querem evitar a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL).
É o caso de ACM Neto (União Brasil) na Bahia, que faz oposição ao PT, mas não quer se vincular ao bolsonarismo em um estado onde a maior parte dos eleitores vota em Lula.
Líderes do PSD esperam que isso aconteça também no Mato Grosso do Sul, onde Eduardo Riedel (PP) poderia apoiar Caiado, por exemplo, caso o governador de Goiás seja o escolhido de Kassab para o Planalto.
Em Santa Catarina, o PSD deve montar um palanque alternativo a Flávio, lançando o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), para disputar o governo.
Já em Goiás e São Paulo, o PL pode estar na mesma chapa do PSD. No primeiro caso, o partido de Kassab deve apoiar o vice-governador Daniel Vilela (MDB) para o governo, enquanto o PL pode lançar Gustavo Gayer para o Senado.
Em São Paulo, o PSD integra a base do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), do qual o próprio Kassab é titular da Secretaria de Governo. Tarcísio, que é candidato à reeleição, se comprometeu a apoiar Flávio.
Também na sexta, Kassab admitiu que Ratinho, Caiado e Leite podem disputar apenas o Senado. Na última eleição nacional, o PSD ensaiou uma candidatura própria, mas acabou não lançando nomes. Integrantes do partido admitem que isso pode se repetir neste ano.
Nesse caso, afirmam, para garantir a eleição da maior bancada de deputados federais possível, a estratégia também seria a de não comprometer os palanques estaduais com nenhum dos presidenciáveis, mantendo a neutralidade em vez de optar por Lula ou Flávio.

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