O presidente Lula (PT) ensaia um mote para sua campanha de reeleição em um momento de dificuldades na relação com o Congresso Nacional. Ele sofreu duas derrotas importantes no Legislativo na última semana. Uma delas, a rejeição de seu indicado ao STF (Supremo Tribunal Federal), inédita desde o fim do século 19.
O petista instruiu auxiliares a encontrarem um novo cardápio de propostas que possam ser apresentadas como eixos para um quarto mandato. Na avaliação de Lula, a retomada de programas sociais e outras medidas econômicas adotadas nesses últimos anos falharam em alavancar sua popularidade.
Uma prévia do que pode ser seu discurso de campanha foi vista no pronunciamento em rede nacional de TV em alusão ao 1º de Maio. No vídeo, Lula criticou o "sistema", defendeu a redução da jornada semanal e o fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso –mencionando que o projeto agora está com o Congresso– e anunciou o novo Desenrola, reedição do programa de regularização de dívidas.
Ele também se colocou contra as empresas de apostas esportivas (conhecidas como bets), acenou a mulheres e ao público religioso e defendeu as medidas de seu governo para conter a alta dos preços dos combustíveis causada pela guerra no Oriente Médio. Além disso, falou em defender a soberania e as riquezas do país.
O petista sofreu derrotas políticas tanto no dia em que o programa foi ao ar quanto na véspera.
Na quinta (30), o Congresso derrubou seu veto ao PL da Dosimetria, projeto que reduz as penas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros condenados no processo da trama golpista. No dia anterior, o Senado rejeitava a indicação do nome de Jorge Messias ao STF, o que também tornou mais difícil uma das alianças mais importantes de Lula.
O presidente quer que o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) seja seu candidato a governador em Minas Gerais, segundo estado com mais eleitores no país. Além de Pacheco até o momento não ter confirmado sua candidatura, setores lulistas desconfiam que ele tenha trabalhado contra Messias e perdido a vontade de apoiá-lo.
Na campanha, Lula não vai deixar de exaltar a área social, uma vez que as trajetórias tanto do partido quanto do próprio presidente são muito identificadas com essas ações. O diagnóstico, no entanto, é que serão necessárias novas bandeiras para a campanha à reeleição.
O presidente e seus aliados já vinham testando alguns tópicos, mas tanto o programa de governo quanto a linha central que será adotada na campanha ainda estão em fase de elaboração.
Nas últimas semanas, Lula deu sinais de que buscará reciclar seu discurso de defesa da soberania nacional, com objetivo de explorar o alinhamento do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) com os Estados Unidos. A ideia é se beneficiar da imagem negativa que Donald Trump tem no Brasil.
O melhor momento de popularidade do petista no atual mandato foi no segundo semestre do ano passado, quando usou tal discurso como resposta ao tarifaço imposto pelos EUA a produtos brasileiros.
Na campanha de 2022, uma das linhas mestras do discurso de Lula foi a retomada de programas sociais após o que teria sido um desmonte no governo Bolsonaro.
Em seu atual mandato, o petista consolidou o Bolsa Família em R$ 600 e criou um adicional de R$ 150 por filho de até seis anos das famílias beneficiárias. Também instituiu o Pé-de-Meia, que paga R$ 200 mensais a estudantes pobres do ensino médio para reduzir a evasão escolar, entre outras ações na área social.
Mesmo com o aumento de gastos nessa área, Lula não conseguiu impulsionar sua popularidade. As pesquisas apontam que ele e seu principal adversário estão empatados em intenção de voto para o segundo turno.
Os petistas também consideraram frustrantes os dividendos de popularidade produzidos pela entrada em vigor da isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5.000 por mês.
Até agora, Lula tem dado mais espaço a bandeiras que já foram usadas na última campanha ou durante este terceiro mandato. Uma delas envolve a comparação de obras de sua gestão com as do mandato de Bolsonaro.
Em outra frente, tem dado declarações em série condenando a violência contra as mulheres, num esforço para recuperar terreno no eleitorado feminino, que foi decisivo para sua eleição em 2022.
O petista também pretende implantar o fim da escala 6x1. Lula quer o projeto aprovado pelo Congresso antes da eleição. A redução da jornada poderia se tornar uma marca da gestão do petista.
O governo gostaria de ter regulamentado o trabalho por meio de aplicativos, mas não conseguiu chegar a um acordo com empresas, motoristas e motociclistas envolvidos, e a ideia, por ora, foi engavetada.
Em um dos assuntos com potencial de ter centralidade na eleição deste ano, a segurança pública, Lula tem defendido a aprovação de uma PEC (proposta de emenda à Constituição) que reorganiza as atribuições dos entes federativos. O projeto, no entanto, está em debate há mais de um ano.
O presidente condiciona à aprovação desse projeto a criação de um Ministério da Segurança Pública —promessa de sua campanha em 2022.
Uma possibilidade apontada por aliados é que o programa de governo de Lula tenha foco em desenvolvimento tecnológico. O PT elaborou um documento com propostas de diretrizes. Coordenador dessas discussões dentro do partido, Cristiano Silveira afirmou à Folha que o objetivo seria reduzir a dependência brasileira de tecnologias vindas de fora.
Lula escalou o ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli para cuidar da elaboração de seu programa –mesclando ideias do PT e de outras forças políticas aliadas. Ele é parte do núcleo duro da pré-campanha junto com nomes como o presidente do PT, Edinho Silva, e do ex-prefeito de Diadema (SP) José de Filippi Jr.

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