EUA propõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após investigação
- O USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) concluiu uma investigação comercial aberta em julho de 2025 e classificou como injustas práticas do governo brasileiro em frentes que vão de decisões judiciais sobre plataformas digitais a regras de pagamento eletrônico, passando por desmatamento, propriedade intelectual e acordos preferenciais com México e Índia. Com base nessa conclusão, o órgão colocou em consulta um pacote de medidas corretivas que inclui tarifa de 25% sobre bens importados do Brasil, com lista de isenções para itens considerados estratégicos ou sem oferta doméstica suficiente nos EUA, como algumas carnes, frutas, minerais, café, aeronaves e produtos farmacêuticos.
- O representante comercial americano, Jamieson Greer, disse que as conversas com o governo brasileiro se intensificaram nas últimas semanas, mas não resolveram as divergências identificadas na investigação. O processo agora segue para audiências públicas antes de uma decisão final. O prazo legal para adoção das medidas expira em 15 de julho de 2026.
- A investigação foi conduzida sob a Seção 301 da lei de comércio americana, mecanismo diferente do usado pelo governo Trump para impor tarifas amplas a outros países. A proposta ainda pode ser alterada ou retirada durante a fase de consulta pública, e Greer sinalizou que as negociações com Brasília seguem em curso
Governo americano divulga dados de vagas abertas em abril
- O BLS (Bureau of Labor Statistics) divulga hoje o JOLTS (Job Openings and Labor Turnover Survey) de abril, pesquisa que mede o número de vagas abertas, contratações e demissões no mercado de trabalho americano. A projeção é de cerca de 6,8 milhões de postos em aberto, patamar próximo ao registrado em fevereiro, quando o indicador marcou 6,88 milhões após recuar de 7,24 milhões em janeiro.
- O número esperado para abril segue abaixo dos picos de mais de 8 milhões de vagas registrados em 2023 e 2024. Esse patamar reforça a leitura de um mercado de trabalho em desaquecimento gradual, com menos demanda por trabalhadores do que nos anos anteriores, mas sem sinais de deterioração brusca.
- O foco estará menos no número em si e mais no que ele sinaliza para os próximos passos do Fed. Um resultado em linha com 6,8 milhões sustenta o cenário de desinflação com mercado de trabalho resiliente, sem urgência para cortes de juros. Já uma queda expressiva abaixo da projeção tende a reforçar apostas em flexibilização mais cedo, com pressão sobre o dólar e os rendimentos dos Treasuries. Uma leitura acima do esperado aponta para pressão inflacionária potencial maior e pode postergar o início do ciclo de cortes.
Trump sinaliza acordo com o Irã para reabrir o Estreito de Hormuz
- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ontem que espera concluir, na próxima semana, um entendimento para ampliar o cessar-fogo com o Irã e permitir a reabertura do Estreito de Hormuz. A declaração foi feita em entrevista à ABC News. O estreito permanece fechado à navegação desde que o cessar-fogo entre os dois países entrou em vigor, em 7 de abril, embora ataques pontuais tenham sido registrados nas últimas semanas. A rota é responsável pelo trânsito de cerca de um quinto da produção global de petróleo.
- O governo iraniano, no entanto, condicionou qualquer avanço nas negociações à existência de um cessar-fogo efetivo no Líbano. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, declarou que a interrupção dos ataques no país é "condição essencial" para qualquer acordo, e acusou Washington de descumprir o cessar-fogo firmado com Teerã. Washington, por sua vez, exige que Teerã assuma compromisso formal de não desenvolver armas nucleares, ponto que o Irã considera fora do escopo das discussões atuais.
- O padrão das últimas semanas recomenda cautela na leitura do anúncio. Em abril, dias após o cessar-fogo inicial, Trump acusou o Irã de fazer "um trabalho muito ruim" na reabertura do estreito e funcionários iranianos fecharam a passagem novamente após ataques israelenses em Beirute. Para os mercados, a fala de Trump tende a gerar alívio imediato em petróleo e ativos sensíveis a risco na abertura de hoje.
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