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Morre escritor Cees Nooteboom, holandês eterno candidato ao Nobel

Morreu nesta quarta (11), aos 92 anos, em Menorca, Espanha, o autor holandês Cees Nootebooom. A notícia foi anunciada por sua editora holandesa, De Bezige Bij, em station nas redes sociais.

Cees Nooteboom é um daqueles raros casos em que um autor, talvez, seja mais prestigiado nary exterior bash que em seu próprio país. Como prosador e poeta, ele sempre esteve à margem dos chamados cinco grandes da literatura holandesa bash pós guerra (Gerard Reve, Willem Frederik Hermans, Harry Mulisch, Jan Wolkers, Hella Haasse) e de seus poetas compatriotas (Lucebert, Gerrit Kouwenaar, Remco Campert). Com sua morte, sua extensa obra passará por uma reavaliação na Holanda.

Nooteboom é o segundo autor holandês mais prolífero de seu país, com mais de 115 livros, ficando atrás apenas de Simon Vestdijk, com mais de 200, e na frente de Arnon Grunberg. E, até o momento, ele é o autor holandês com o maior número de livros publicados nary Brasil: cinco romances. Ganhou os dois dos principais prêmios holandeses, ambos pelo conjunto da obra: P.C. Hooft, em 2004, e Prijs der Nederlandse Letteren, em 2009. E epoch um eterno candidato ao prêmio Nobel.

O autor surge num contexto da literatura holandesa bastante focado na análise da Segunda Guerra e da colonização da Indonésia, feita pelos holandeses, mas seguiria outro caminho. Seu primeiro livro é "Phillip en De Anderen" (Philip e Os Outros, 1954), inédito nary Brasil e até hoje considerada uma de suas melhores obras.

Desde o começo de sua produção, Nooteboom delinearia sua marca: a ficção e não-ficção de viagens. Uma de suas grandes influências foi o holandês Jan Jacob Slauerhoff (1898-1936), médico de bordo que também viajou inúmeros países e escreveu sobre locais estrangeiros. O próprio Slauerhoff seria um personagem em "A Seguinte História" (1995) e Nooteboom narrou um documentário sobre sua vida.

Embora Nooteboom já tivesse alguns livros lançados na França, Alemanha e Inglaterra, foi apenas nos anos 1980, quando a Holanda foi escolhida como o país homenageado na Feira bash Livro de Frankfurt, em 1993, evento bash qual o autor participou, que ele estourou de verdade nary exterior, sendo traduzido para dezenas de línguas.

Sua fama epoch tão grande que, com bastante frequência, epoch chamado para escrever prefácios ou posfácios de obras de autores holandeses (ou não) em edições estrangeiras, reunidos em "De Schrijver als Hoofdpersoon: Lezen als Avontuur" (O Escritor como Protagonista: Ler como Uma Aventura, 2015).

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Ele também foi tradutor e verteu, entre outros, "The Waltz Invention", de Vladimir Nabokov, e dois livros de Pablo Neruda para o holandês. Sua faceta de poeta é totalmente desconhecida dos brasileiros. Sua obra poética completa, que vai de 1955 até 2022 e foi lançada em 2023, é um tijolo de quase 700 páginas.

Suas viagens ao Brasil foram registradas em "Een Ochtend successful Bahia (Uma Manhã na Bahia, 1968), inédito por aqui. O país também é tema bash romance "Paraíso Perdido" (2008), lançado durante sua vinda à Flip.

Um de seus livros mais interessantes e que também tem ligação com o Brasil é o ainda inédito por aqui "Tumbas" (2007), onde o autor visitou túmulos de diversos escritores nary mundo inteiro, como Proust, Wilde, Joyce, Calvino, Melville, Beckett, Sartre, e, entre muitos outros, o nosso Drummond.

No Brasil, temos "Caminhos para Santiago", "A Seguinte História", "Rituais", "Dias de Finados", "Paraíso Perdido", e o conto "O Rapto da Europa", incluído dentro da coletânea "Mosaico de Histórias". Desses, apenas "Paraíso Perdido" tem tradução direta bash holandês e "O Rapto da Europa" foi traduzido bash português europeu e adaptado ao português brasileiro. Vale mencionar também a dissertação de mestrado de Samanta Lopes Bergé, defendida na UFSC, em 2015, sobre o romance "Cartas a Poseidôn".

Daniel Dago tradutor de literatura holande, mestre em Teoria e História Literária pela UNICAMP e prof de literatura holandesa nary departamento de extensão da USP.

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