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Morre Ramiro Valdés, herói revolucionário e ex-vice-presidente de Cuba, aos 94 anos

Em uma publicação na rede social X, Díaz-Canel disse que a morte de Valdés "dói profundamente, como a de um pai". "Até a vitória, sempre, comandante!", acrescentou o presidente cubano. O presidente cubano não informou a causa da morte do revolucionário.

Figura importante do governo por décadas após a chegada ao poder dos rebeldes de Castro em 1959, Valdés recebeu os títulos honorários de "Herói da República" e "Comandante da Revolução" e fez parte do poderoso Bureau Político do Partido Comunista de Cuba até 2019. Leia mais abaixo.

Considerado um dos principais comandantes da revolução cubana, junto de Fidel Castro, Valdés teve um papel ativo na política de Cuba até sua morte. Ele foi vice-presidente entre 2009 e 2019, e também já ocupou outros como de ministro do Interior, vice-ministro da Defesa e ministro da Informação e Comunicações. Atualmente, ele atuava como vice-primeiro-ministro do país.

Ainda ativamente envolvido nos detalhes das frequentes faltas de eletricidade no país, ele aparecia regularmente em uniforme militar ao lado de Díaz-Canel, incentivando os cubanos a apagarem as luzes, reduzirem o consumo e manterem o fervor “revolucionário”.

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Nascido em 28 de abril de 1932, Valdés tinha apenas 21 anos quando lutou ao lado de Fidel Castro no ataque ao quartel de Moncada, que deu início à revolta de 1953 contra o governo de Fulgencio Batista.

Exilado com Castro no México, ele foi um dos 82 homens que navegaram no iate Granma até Cuba em 1956 para reiniciar a insurreição —e um dos apenas 12 sobreviventes.

Entre os sobreviventes estavam Castro, que morreu em 2016, seu irmão mais novo e futuro presidente Raúl Castro, e Ernesto “Che” Guevara, o revolucionário argentino que foi morto na Bolívia em 1967 enquanto tentava iniciar uma insurreição lá.

Valdés juntou-se aos irmãos Castro nas montanhas da Sierra Maestra, no leste de Cuba, atuando como vice-comandante de Guevara. Ele lutou ao lado de Guevara na decisiva Batalha de Santa Clara nos dias finais antes de Batista fugir do país em 1º de janeiro de 1959. Depois, passou a chefiar a agência de segurança criada após a chegada de Fidel Castro ao poder.

Valdés compartilhava parte do carisma de Castro e Guevara e, como eles, usava uniforme verde-oliva nos corredores do poder. Até o fim, ele manteve o cavanhaque no estilo Leon Trótski que usava desde o início da revolução. Entusiasta do condicionamento físico, manteve rotina disciplinada de exercícios até os 80 anos.

Valdés permaneceu sempre leal à revolução, a seus líderes e ao sistema de partido único, inclusive durante os períodos mais difíceis do país.

“Não podemos esquecer que chegamos até aqui graças à unidade do povo e à confiança na revolução”, disse Valdés na celebração do 61º aniversário do ataque ao Moncada em 2014. “Devemos preservar essa unidade acima de tudo, porque sabemos que essa luta ainda não terminou.”

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