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ONU adia votação sobre uso de força no Estreito de Ormuz, mas China diz que usará poder de veto

A resolução estipula que países podem usar “todos os meios defensivos necessários” para proteger a navegação comercial no estreito, um dos grandes pontos de tensão da guerra no Oriente Médio (leia mais abaixo). Caso aprovada, a medida será o primeiro aval da ONU ao uso da força no conflito.

➡️ A China, que tem poder de veto, já disse ser contra qualquer autorização do uso da força — embora tenha adotado uma postura neutra na guerra, Pequim costuma mostra alinhamento pragmático com Irã, de quem é o principal comprador de petróleo.

França e Rússia, que também podem barrar votações por serem membros permanentes do conselho, já indicaram oposição à medida. Na tentativa de um acordo, diplomatas adiaram para a semana que vem a votação, inicialmente marcada para esta sexta-feira e depois remarcada para este sábado (4).

A votação foi uma proposta do Bahrein, atual presidente do Conselho de Segurança e um dos países do Golfo Pérsico que têm sido alvos diários dos ataques retaliatórios do Irã. O ministro das Relações Exteriores do Barein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, pediu aos países membros que esperava uma "posição unificada deste estimado conselho".

Antes mesmo da votação, no entanto, o Irã já criticou a medida. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que uma aprovação do uso da força por parte da ONU será considerada "uma ação provocativa".

“Qualquer ação provocativa por parte dos agressores e seus apoiadores, inclusive no Conselho de Segurança da ONU, em relação à situação no Estreito de Ormuz, só irá complicar ainda mais a situação”, declarou Araghchi.

👉 Situado na costa do Irã, o Estreito de Ormuz é um dos principais corredores marítimos para a navegação de petróleo mundial. Por lá, passam cerca de 20% de todo o petróleo e gás consumidos no mundo, vindo de grandes produtores do Oriente Médio, como Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Catar.

O Barein, apoiado em seus esforços para garantir uma resolução por outros Estados árabes do Golfo e por Washington, já havia retirado uma referência explícita à aplicação obrigatória em uma tentativa de superar as objeções de outras nações, especialmente da Rússia e da China

Um quarto esboço de uma resolução foi colocado sob o chamado procedimento de silêncio para aprovação até quinta-feira às 13:00 (horário de Brasília). Diplomatas disseram que o silêncio foi quebrado pela China, França e Rússia, mas um texto foi posteriormente finalizado, ou "colocado em azul" na linguagem da ONU, o que significa que uma votação pode ocorrer.

O esboço de resolução finalizado autoriza as medidas "por um período de pelo menos seis meses (...) e até que o Conselho decida de outra forma".

Entretanto, em comentários ao Conselho de Segurança na manhã de quinta-feira, o enviado da China à ONU, Fu Cong, se opôs à autorização de uso da força.

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