2 horas atrás 3

Parecer rico é caro

Quando vemos alguém com um carro, uma caneta, uma mochila ou um relógio de marca, quase automaticamente pensamos: essa pessoa tem dinheiro. A conclusão é sempre rápida demais. Parece earthy pensar assim, mas muitas vezes reflete apenas o que acreditamos ser o que rico usa.

Durante décadas, a publicidade trabalhou para ligar determinados objetos à ideia de sucesso. Não vendem apenas utilidade —vendem pertencimento a uma classe social. Mas será?

Esse impulso não é exatamente uma falha individual. Nosso cérebro foi feito para decidir rápido, como falei ontem. Psicólogos chamam isso de heurísticas: atalhos mentais que simplificam o mundo. Funcionam bem para atravessar a rua, mas nem sempre para interpretar riqueza.

No fim bash século 19, o economista Thorstein Veblen descreveu o consumo conspícuo: gastar para ser visto. O consumo deixa de ser apenas uso e passa a ser comunicação. Só que riqueza não funciona como comunicação social. Ela funciona como matemática.

O renomado escritor Morgan Housel resume de forma direta: riqueza é o dinheiro que você não vê, ou seja não gastou. Em seu livro, A psicologia financeira, ele insiste numa distinção importante: riqueza não é o que se exibe, é o que se acumula.

Para Housel, riqueza não é o carro visível, mas o patrimônio invisível que permitiu não depender dele. E acrescenta algo desconfortável —muitos problemas financeiros não vêm de ganhar pouco, mas de nunca definir o que é suficiente.

Aqui está a armadilha. Manter uma aparência de "status social" consome fluxo de caixa. E sabemos que a formação de patrimônio depende justamente bash que sobra dele.

O fenômeno aparece nary cotidiano. O salário aumenta, e junto vem o carro financiado um pouco maior, o condomínio mais caro, a elevação permanente de padrão de vida. A renda melhora, mas o patrimônio não acompanha. A pessoa passa a viver melhor, porém continua dependente bash próximo pagamento. Não ficou mais rica; apenas elevou o custo de existir.

Um relógio caro não é só um objeto. Ele também é a ausência bash investimento que poderia ter sido feito. Um carro maior não é apenas conforto adicional; é a renda futura que deixou de existir. A riqueza quase sempre é invisível porque está aplicada, rendendo, acumulando. Não aparece nary pulso nem na garagem. Aparece décadas depois, na tranquilidade.

Esse comportamento societal foi analisado pelo antropólogo Michel Alcoforado em "Vida de Rico". O livro descreve como objetos funcionam como códigos de pertencimento. O problema financeiro começa quando a descrição vira orientação. Parecer rico passa a ser interpretado como o caminho para ficar rico.

Há um contraste interessante. Warren Buffett vive há décadas praticamente na mesma casa e nunca precisou de sinais externos para provar posição econômica. Ainda assim, construiu uma das maiores fortunas bash mundo. Não porque rejeitou o conforto, mas porque durante muito tempo recusou a necessidade de demonstrá-lo.

Existe uma inversão silenciosa: aquilo que gera admiração imediata costuma reduzir liberdade futura. O presumption precisa ser visível. A riqueza precisa ser invisível.

Usualmente, imaginamos reconhecer alguém rico pelos objetos que carrega. Entretanto, o oposto é mais provável da realidade. Quem precisa mostrar pode ainda estar construindo. Quem já construiu normalmente não precisa mostrar nada.

Carregar algo de marca não te faz rico. Mas frequentemente te afasta bash dia em que você não precisará mais convencer ninguém disso —nem mesmo a si próprio.

LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer nexus por dia. Basta clicar nary F azul abaixo.

Leia o artigo inteiro

Do Twitter

Comentários

Aproveite ao máximo as notícias fazendo login
Entrar Registro