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Pedreiros em risco? Robôs já assentam mais de 2.000 tijolos por dia

Segundo os pesquisadores, a situação se agravou com o aumento da demanda por moradias. O governo australiano estabeleceu a meta de construir 1,2 milhão de casas entre 2024 e 2029, mas o ritmo atual da construção está abaixo do necessário.

Nesse cenário, robôs passaram a ser vistos não apenas como inovação tecnológica, mas como uma tentativa de manter o setor funcionando.

Entre os projetos mais conhecidos está o Hadrian X, desenvolvido pela empresa australiana FBR. O equipamento utiliza um braço robótico telescópico capaz de posicionar blocos estruturais com precisão. Segundo a fabricante, o sistema pode assentar até 360 blocos por hora e concluir as paredes internas e externas de uma casa em apenas um dia.

Nos Estados Unidos, o robô SAM100 ganhou notoriedade ao prometer acelerar a alvenaria tradicional. Em 2018, o equipamento foi utilizado na construção do prédio de Artes da Universidade de Nevada. Na época, a universidade informou que a máquina conseguia instalar um tijolo a cada oito segundos e equivalia ao trabalho de cinco pedreiros.

Eu não consigo contratar pedreiros suficientes para fazer o trabalho que o SAM consegue executar. Robert DeBenedetto, encarregado da A-1 Masonry, em nota da Universidade de Nevada

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Robôs gigantes deram lugar a sistemas colaborativos

Apesar do entusiasmo inicial, os robôs totalmente autônomos ainda enfrentam obstáculos importantes. Custos elevados, dificuldades para operar em terrenos irregulares, necessidade de grandes estruturas de apoio e limitações em espaços urbanos apertados dificultaram a expansão comercial de alguns sistemas.

O estudo de 2025 da Construction Innovation sugere que o SAM100 aparentemente foi descontinuado pela empresa Construction Robotics. Os pesquisadores apontam que o alto custo e o longo tempo de preparação da máquina podem ter prejudicado sua viabilidade no longo prazo.

Enquanto isso, o setor começou a migrar para sistemas colaborativos, conhecidos como "cobots". Em vez de substituir completamente os trabalhadores, esses equipamentos atuam como assistentes robóticos.

Robôs assumem tarefas repetitivas, mas não substituem operários, dizem especialistas
Robôs assumem tarefas repetitivas, mas não substituem operários, dizem especialistas Imagem: Monumental.co

Empresa mudou foco para assistência humana. A própria Construction Robotics passou a apostar no sistema MULE (Material Unit Lift Enhancer - Aprimorador de Elevação de Unidades de Material, em tradução livre), um braço robótico que ajuda operários a levantar blocos pesados e reduzir esforço físico.

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Equipamento permite que trabalhadores mais velhos permaneçam ativos por mais tempo na profissão. "Não vemos esse trabalho desaparecendo para os robôs", afirmou um dos trabalhadores citados no estudo australiano de 2025.

Tecnologia ainda enfrenta desafios nos canteiros

Ideia de colaboração entre humanos e máquinas também aparece em pesquisas recentes da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. Em estudo divulgado em maio de 2026, pesquisadores desenvolveram um sistema em que um robô posiciona tijolos enquanto um trabalhador humano aplica adesivo guiado por projeções visuais feitas pelo próprio braço robótico.

Braços robóticos e sistemas automatizados começam a transformar a rotina de obras em diferentes países
Braços robóticos e sistemas automatizados começam a transformar a rotina de obras em diferentes países Imagem: Monumental.co

Sistema utiliza sensores a laser para corrigir automaticamente pequenos erros acumulados durante a construção. Segundo os pesquisadores, isso ajuda a evitar desalinhamentos e colisões do equipamento. Os testes mostraram que o robô conseguia manter desvios próximos de apenas um milímetro, aumentando a precisão da montagem.

Mesmo com os avanços, os próprios estudos reconhecem que a tecnologia ainda está longe de dominar completamente os canteiros de obras. Ambientes imprevisíveis, limitações de mobilidade, espaços apertados e necessidade constante de improviso continuam sendo grandes desafios para os sistemas robóticos.

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Medo de substituição divide opiniões no setor

Evolução dessas tecnologias também levanta preocupações. Em países que enfrentam escassez de trabalhadores, os robôs são frequentemente vistos como solução para manter a produtividade. Já em mercados com maior oferta de mão de obra, o avanço da automação também desperta receios relacionados à substituição de empregos.

No estudo australiano, alguns trabalhadores demonstraram preocupação com os impactos da tecnologia no futuro da profissão. "É um pouco assustador pensar nisso, porque parece que tudo está caminhando nessa direção, mas, se forem os robôs assentando tijolos, então o que eu vou fazer?", afirmou um dos profissionais.

Robôs trabalham 24 horas e assentam milhares de tijolos por dia
Robôs trabalham 24 horas e assentam milhares de tijolos por dia Imagem: Reprodução/Monumental

No Reino Unido, por exemplo, robôs assentadores de tijolos começaram a ser testados em 2025. Foi justamente em meio a uma falta histórica de profissionais na construção civil. Um relatório citado pelo jornal britânico The Sun apontou que o país precisava de pelo menos 25 mil novos pedreiros para cumprir as metas habitacionais do governo.

Automação avança, mas decisão final segue humana. Especialistas afirmam que a tendência atual aponta menos para uma substituição total dos trabalhadores e mais para um modelo híbrido, em que humanos continuam responsáveis por adaptação, acabamento e tomada de decisão, enquanto robôs assumem tarefas repetitivas, pesadas ou de alta precisão.

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Não acreditamos que essas máquinas substituirão completamente os pedreiros, mas certamente podem ajudar com a escassez de mão de obra qualificada. Tony Chapman, diretor da empresa Galostar, responsável pelos testes no país, ao The Sun

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