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Ranking de corrupção mantém Brasil em sua pior posição, e ONG cita caso Master e emendas

O Brasil repetiu em 2025 sua pior posição no IPC (Índice de Percepção da Corrupção), da ONG Transparência Internacional. O país ficou na 107ª colocação entre 182 nações e territórios avaliados, com 35 pontos numa escala de 0 a 100 —quanto maior a nota, maior a percepção de integridade.

Em relação a 2024, quando o país registrou 34 pontos (a pior nota da série histórica), houve alta de um ponto, variação considerada estatisticamente insignificante pela organização e que indica estagnação. A posição no ranking se manteve a mesma.

A pontuação deixa o Brasil abaixo da média global (42 pontos) e da média das Américas (também 42).

Na série histórica, comparável a partir de 2012, as melhores notas do Brasil foram registradas em 2012 e 2014 (43 pontos). As piores, em 2024 (34), 2018 e 2019 (35) e 2023 (36).

O Sri Lanka também obteve 35 pontos. Argentina, Belize e Ucrânia ficaram um ponto acima. Argélia, Bósnia e Herzegovina, Indonésia, Laos, Malaui, Nepal e Serra Leoa ficaram um ponto abaixo do Brasil.

Os três primeiros colocados no ranking foram Dinamarca (89 pontos), Finlândia (88) e Cingapura (84). Na outra ponta estão Somália e Sudão do Sul (9 pontos cada) e Venezuela (10).

O índice é construído a partir de até 13 indicadores independentes baseados na percepção de especialistas, pesquisadores e executivos sobre corrupção no serviço público. Os comportamentos inadequados considerados na análise incluem suborno, desvio de dinheiro público, uso de cargo público para ganho privado e nepotismo.

O diretor-executivo da Transparência Internacional no Brasil, Bruno Brandão, disse que o Brasil "chocou o mundo com casos de macrocorrupção em escala inédita, como INSS e Master, impunidade generalizada mesmo para corruptos confessos e condutas desmoralizantes de ministros do próprio STF (Supremo Tribunal Federal)".

Em paralelo ao IPC, a organização lançou o relatório Retrospectiva 2025, que aponta o que classifica como agravamento da infiltração do crime organizado no Estado brasileiro por meio de dois setores: o sistema financeiro e a advocacia.

O documento cita como destaques negativos no Executivo a resposta do governo ao esquema de fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e o que a ONG considera como um silêncio do presidente Lula (PT) sobre corrupção —em 230 pronunciamentos em 2025, o presidente mencionou a palavra "corrupção" apenas 13 vezes e, segundo a entidade, na maioria delas para ironizar denúncias.

No Legislativo, a organização questiona o crescimento do volume de emendas parlamentares, além de alterações na Lei da Ficha Limpa que permitem retorno antecipado de condenados às eleições.

No Judiciário, o relatório destaca o caso Banco Master e as suspeitas sobre os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Sobre Moraes, cita o contrato de R$ 129 milhões entre o banco e o escritório de advocacia de sua esposa.

Acerca de Toffoli, elenca que o ministro avocou a relatoria do caso, decretou sigilo e viajou em jato particular com advogado de um dos diretores do banco, além de revelações sobre negócios imobiliários de sua família envolvendo aportes de fundos ligados ao Master e à JBS.

Entre os pontos positivos, o relatório elenca a Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal em agosto de 2025, que apura a atuação do PCC (Primeiro Comando da Capital) em negócios da economia formal, incluindo o mercado financeiro.

A ação foi classificada como mudança de paradigma no uso de inteligência financeira contra o crime organizado.

Também menciona a responsabilização de lideranças políticas e militares pelos ataques à democracia, se referindo à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados pela trama golpista de 2022.

O relatório também cita como positivas decisões do STF para ampliar o controle sobre emendas e a rejeição da chamada PEC da Blindagem no Senado.

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