Trump respondeu a críticas por parte de integrantes europeus da Otan após o governo norte-americano voltar a ameaçar tomar a Groenlândia, território dinamarquês no Ártico.
Em uma postagem em sua rede social Truth Social, reivindicou que os EUA sustentam financeiramente a aliança militar. E mostrou descontentamento por não haver sido escolhido para receber o Prêmio Nobel da Paz de 2025, concedido pelo Comitê do Nobel, que fica na Noruega.
O prêmio foi concedido à oposicionista venezuelana María Corina Machado. No sábado (3), após sua ofensiva na Venezuela em que capturou Nicolás Maduro, Trump afirmou não achar que Machado esteja pronta para assumir a presidência do país e apoiou a posse da vice de Maduro, Delcy Rodríguez, para o cargo.
Europa se prepara para invasão
Também nesta quarta, o governo francês afirmou que países europeus estão preprarando um plano para responder caso os Estados Unidos cumpram a ameaça de assumir o controle da Groenlândia.
Segundo o ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noel Barrot, o tema será abordado em uma reunião com os chanceleres da Alemanha e da Polônia ainda nesta quarta-feira. Ainda não se sabe quais países participariam do plano além da França e da Alemanha.
A movimentação dos europeus ocorre após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter retomado ameaças de tomar a Groenlândia, uma ilha no Ártico que pertence à Dinamarca, e que não descarta o uso de força militar para tal (leia mais abaixo). Barrot disse também que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, descartou a ideia de invadir a Groenlândia.
Na terça-feira, uma declaração conjunta da França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha e Dinamarca afirmou que “a Groenlândia pertence ao seu povo” e apenas Dinamarca e Groenlândia podem decidir sobre o futuro do território. O texto disse também que a segurança no Ártico deve ser garantida de forma coletiva, no âmbito da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), da qual os EUA e a Dinamarca fazem parte.
Bandeira da Groenlândia tremula sobre assentamento de Igaliku. — Foto: Reuters
Segundo uma reportagem do jornal norte-americano "The Washington Post" publicada na terça, autoridades dos EUA disseram a interlocutores europeus nos últimos dias que uma ação contra a Groenlândia é uma possibilidade cada vez mais concreta. A informação foi relatada ao jornal por um diplomata europeu.
Rubio disse a membros do Congresso dos EUA na segunda-feira que Trump tem planos de comprar a Groenlândia em vez de invadi-la, segundo o jornal norte-americano "The New York Times". As declarações recentes do presidente norte-americano e da Casa Branca fariam parte de uma tática para forçar a venda, completou Rubio durante o encontro, de acordo com "Washington Post".
No entanto, europeus já disseram no passado que a Groenlândia não está à venda. Alguns congressistas norte-americanos disseram ao governo Trump que "os EUA devem honrar suas obrigações decorrentes de tratados e respeitar a soberania e a integridade territorial do Reino da Dinamarca (...) quando deixarem claro que a Groenlândia não está à venda".
Os ministros das Relações Exteriores dinamarquês e groenlandês afirmaram na terça-feira que solicitaram uma reunião com Marco Rubio para discutir a atual escalada de tensões contra a ilha. Pedidos anteriores por um encontro dessa natureza foram recusados pelos EUA, segundo os ministros.
Trump quer Groenlândia e não descarta força militar
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e assessores estão discutindo opções para adquirir a Groenlândia, afirmou a Casa Branca na terça-feira (6). Em comunicado, o governo americano disse que o uso das Forças Armadas continua sendo uma alternativa.
Em nota enviada em resposta a questionamentos da agência de notícias Reuters, o governo dos EUA afirmou que Trump considera a aquisição da Groenlândia uma prioridade de segurança nacional. A Casa Branca diz que avalia diferentes caminhos para alcançar esse objetivo.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursa para os republicanos da Câmara durante a conferência anual sobre questões do partido, no Kennedy Center, renomeado como Trump-Kennedy Center pelo conselho de diretores indicado por Trump, em Washington, D.C., EUA, em 6 de janeiro de 2026 — Foto: Kevin Lamarque/Reuters
Segundo o governo, a medida é vista como estratégica para conter adversários na região do Ártico. O comunicado afirma ainda que o presidente e a equipe analisam uma série de opções de política externa e que o uso do Exército dos EUA está entre as possibilidades.
O vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, disse em entrevista à imprensa americana na segunda-feira que "ninguém vai lutar militarmente contra os EUA pelo futuro da Groenlândia", mas desconversou sobre a hipótese de que o governo Trump estaria cogitando uma intervenção armada na ilha.
Trump demonstra interesse pela Groenlândia desde o primeiro mandato como presidente. Ao retornar à Casa Branca, no ano passado, voltou a dizer que deseja anexar o território aos Estados Unidos.
- 👉 Atualmente, a Groenlândia faz parte do Reino da Dinamarca. Apesar disso, o território tem autonomia e já foi autorizado a realizar um plebiscito sobre a própria independência.
O tema voltou a ganhar destaque no sábado (3), após Katie Miller, esposa do vice-chefe de gabinete da Casa Branca, publicar em uma conta no X um mapa que mostra a Groenlândia com a bandeira dos Estados Unidos. Na legenda, ela escreveu “em breve”. Veja abaixo.
A publicação foi feita após os Estados Unidos lançarem uma operação contra a Venezuela para capturar o ditador Nicolás Maduro. Ele foi preso e levado para Nova York. Cerca de 80 pessoas, entre civis e militares, morreram no ataque, segundo o jornal The New York Times.
Katie Miller posta mapa Groenlândia com bandeira dos EUA — Foto: Reprodução / X
Nesta terça-feira, líderes europeus divulgaram um comunicado conjunto afirmando que “a Groenlândia pertence ao seu povo” e que apenas Dinamarca e Groenlândia podem decidir sobre o futuro do território. Canadá e Holanda também apoiaram a declaração.
Interesse pela Groenlândia
Moradores da Groenlândia fazem protesto contra os EUA, em 15 de março de 2025 — Foto: Christian Klindt Soelbeck/Ritzau Scanpix/via REUTERS
A Groenlândia está geograficamente localizada no continente norte-americano, mas mantém fortes vínculos com a Dinamarca. A ilha, que foi uma colônia dinamarquesa, passou a integrar o Reino da Dinamarca em 1953 e segue a Constituição dinamarquesa.
Em 2009, a Dinamarca autorizou a Groenlândia a formar um governo próprio e autônomo, abrindo a possibilidade de uma declaração de independência por meio de referendo.
👀 Interesses: Os Estados Unidos consideram a Groenlândia um território estratégico para a segurança nacional. A ilha poderia abrigar sistemas de defesa capazes de interceptar mísseis vindos da Europa ou do Ártico.
- A região também é rica em minerais, petróleo e gás natural.
- No entanto, a extração mineral enfrenta oposição de povos indígenas e restrições do governo local.
- Já a exploração de petróleo e gás é proibida por razões ambientais.
A população da Groenlândia poderia votar pela independência e aprovar, em referendo, uma associação aos Estados Unidos. Especialistas ouvidos pela Reuters avaliam que a probabilidade de isso ocorrer é baixa.

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