O lançamento ocorre em um momento crítico para o Snap, cujo negócio de publicidade está sob pressão de rivais maiores. Um investidor ativista também exigiu que a empresa desmembre ou encerre a unidade Specs, que consome muito caixa, após um investimento de mais de US$3,5 bilhões.
A crescente preocupação com o impacto dos smartphones na saúde mental e os avanços na inteligência artificial deram origem a uma onda de produtos que visam destronar os telefones como o principal dispositivo do dia a dia.
Entre os mais bem-sucedidos estão os óculos inteligentes Ray-Ban da Meta, cujo modelo topo de linha possui apenas uma pequena tela para texto e instruções de navegação e não conta com realidade aumentada completa — tecnologia que sobrepõe conteúdo digital à visão do usuário no mundo real.
Para superar os concorrentes, a Snap tornou os Specs muito mais leves que os Vision Pro e mais capazes que os óculos da Meta, que foram desenvolvidos em parceria com a EssilorLuxottica e pesam aproximadamente metade do peso dos Specs.
Inicialmente disponíveis na cor preta, os Specs se assemelham a um par de óculos de Sol retrô robustos, com armação grossa, e não necessitam de bateria externa ou acessórios, como um controle por gestos.
Por meio de suas lentes de realidade aumentada, eles podem sobrepor conteúdo digital à visão do mundo real do usuário, projetando direções para pedestres nas ruas, buscando respostas com inteligência artificial durante a tarefa ou permitindo que transmitam conteúdo e abram um quadro branco virtual.
Os desenvolvedores criaram experiências de realidade aumentada que vão desde uma recriação imersiva da Apollo 11 até o sistema de orientação de golfe PuttView, e os Specs também possuem outros recursos para óculos inteligentes, como a captura de vídeo.
"Queríamos construir um tipo de computador totalmente novo", disse Evan Spiegel, presidente-executivo da Snap, à Reuters.
Ele afirmou que a empresa desenvolveu novas tecnologias em praticamente todos os componentes, desde uma tela personalizada e uma camada de lentes que oferece um amplo campo de visão até um software otimizado para chips de baixo consumo de energia que prolonga a vida útil da bateria sem aumentar o volume.
Segundo Spiegel, os Specs oferecem a capacidade de alguns "fones de ouvido mais caros com a usabilidade de óculos inteligentes a um preço mais acessível".
Os óculos são bem mais baratos que o Vision Pro, de US$3.499, mas mais caros que a faixa de preço da Meta, que varia de US$379 a US$799, o que pode limitar a adoção pelo consumidor.
"O preço ainda está um pouco acima do que os consumidores esperam de óculos de realidade aumentada", disse Anshel Sag, analista principal da Moor Insights & Strategy.
Mas ele afirmou que "construir óculos de realidade aumentada completos é extremamente difícil e caro, e o fato da Snap estar entre as primeiras é um grande feito", observando que o sistema operacional dos Specs é "subestimado" e fundamental para o produto.
As ações da Snap caíram 1,6% no pregão da tarde.
CRISE DE CHIPS DE MEMÓRIA
Spiegel afirmou que o aumento no custo dos chips de memória "teve um impacto considerável" e que a Snap pretende oferecer versões mais baratas no futuro, embora não tenha divulgado quanta memória os dispositivos Specs possuem.
Equipados com dois processadores Qualcomm Snapdragon, os Specs oferecem até quatro horas de duração da bateria e vêm com um estojo de carregamento que fornece quatro cargas adicionais. A previsão é de que sejam enviados neste outono (do hemisfério norte) nos EUA, Reino Unido e França, com disponibilidade em outros países dependendo da demanda de pré-venda.
Inicialmente, a Snap está focando em desenvolvedores, que são essenciais para a criação de experiências de realidade aumentada. A empresa afirmou que "centenas de milhares" já utilizam o Lens Studio e está lançando ferramentas de criação de aplicativos por meio do Claude Code, Codex e Cursor, entre outros recursos.
Isso poderá ser crucial à medida que a competição se intensifica.
No final do ano passado, o Google fez uma parceria com a Warby Parker para lançar óculos inteligentes com inteligência artificial, enquanto a Apple está desenvolvendo um modelo que poderá chegar já no próximo ano, de acordo com a Bloomberg News.
A OpenAI, que adquiriu a startup do ex-designer da Apple Jony Ive, também considerou a possibilidade de construir óculos, segundo informações do The Information.

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