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Tabata Amaral traz para o Brasil a campanha global de censura Israelense

Israel e seus apoiadores vêm conduzindo uma campanha global para restringir críticas ao país, pressionando governos a alterar suas legislações para proibir e punir uma ampla gama de manifestações. Essa campanha desembarca agora no Brasil, graças à deputada Tabata Amaral (PSB-SP), a alguns cúmplices na Câmara e ao lobby pró-Israel Stand With Us, de André Lajst.

Isso ocorre pelo mesmo motivo por trás de toda campanha de censura: Israel está perdendo o debate global sobre suas várias guerras, seu projeto expansionista, as atrocidades em Gaza (que diversos tribunais e alguns dos principais intelectuais e acadêmicos judeus do mundo afirmam se tratar de um genocídio) e o supremacismo racial inerente ao sionismo, demonstrado de forma clara nesta semana com a aprovação, pelo Knesset, de uma lei de pena de morte que se aplica exclusivamente a árabes e palestinos.

Pesquisas de opinião registram um colapso no apoio a Israel no mundo todo —inclusive nos EUA, de cujo apoio militar Israel depende há décadas. Em vez de reverter essa tendência por meio do debate público ou ajustando a conduta por trás dessa rejeição, Israel e seus defensores preferem controlar a discussão, redefinindo qualquer crítica ao país como ilegal, intolerante e discurso de ódio.

É difícil exagerar a severidade da censura prevista nesse projeto de lei. Ela fica clara quando se observa a repressão em diversos países onde leis análogas já foram implementadas. O maior exemplo são os EUA, onde o presidente Trump —cuja campanha foi em grande parte financiada por bilionários pró-Israel— passou o último ano obrigando as principais universidades dos EUA a adotar esse mesmo sistema de censura pró-Israel.

Como resultado, alguns dos mais importantes professores das principais universidades dos EUA estão sendo forçados a modificar seus currículos ou a buscar outras instituições. Isso inclui a professora de estudos de genocídio Marianne Hirsch, uma mulher judia. Por décadas, ela incluiu em seu currículo um célebre e respeitado livro de Hannah Arendt, uma das principais filósofas do século 20, também judia, cujas duras críticas a Israel e ao sionismo violariam as regras de censura impostas por Trump à Universidade de Columbia. São essas as regras que Amaral quer impor ao Brasil.

Sob o pretexto de combater o ódio, esse projeto visa expandir radicalmente a definição legal de antissemitismo para incluir críticas comuns feitas ao Estado de Israel e a alguns indivíduos judeus. E isso é feito por meio da codificação, em lei, da definição de antissemitismo proposta pela Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA) —uma organização com um nome altamente manipulador.

Essa exploração cínica da memória do Holocausto e as acusações espúrias de antissemitismo contra críticos de Israel são altamente perigosas. Além de trivializar ambas as coisas, essa estratégia tem alto potencial de causar antissemitismo de fato quando as populações se derem conta de que sua liberdade de expressão está sendo coagida em nome —e pelos interesses— de Israel.

É difícil não se chocar depois de ler o que está sendo proposto pela IHRA. Uma das opiniões proibidas seria dizer que "a existência do Estado de Israel é um empreendimento racista". Esse ponto de vista foi defendido por inúmeros líderes judeus no século 20 e por muitos judeus no presente. A mera ideia de que uma determinada opinião sobre um país estrangeiro deva ser proibida por lei é totalmente absurda.

Ainda mais notável é que Israel —e somente Israel— goza dessas proteções. Sob as regras da IHRA, brasileiros permanecem livres para dizer que qualquer outro país do mundo seja um empreendimento racista. Pode-se afirmar isso sobre China, Rússia, Coreia do Sul, Indonésia, México ou Canadá. Os brasileiros podem, inclusive, dizer que o próprio Brasil é um projeto racista. Mas não Israel.

O mesmo vale para comparações entre o governo de Israel e os nazistas, um ponto de vista cada vez mais comum depois que o mundo testemunhou os crimes de Israel em Gaza. A lei proposta por Amaral proíbe essa comparação, mas apenas quando se trata de Israel. A fala do presidente Lula no ano passado, comparando as ações israelenses em Gaza ao Holocausto, também seria considerada criminosa sob essa lei.

Apesar do nome, de forte apelo emocional, essa lei não tem nada a ver com antissemitismo —trata-se apenas de um pretexto. A lei serve para suprimir o debate sobre o comportamento de Israel em um momento em que esse debate é mais importante do que nunca.

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