O TechTudo me propôs um desafio: deixar o Kindle de lado por cinco dias e usar apenas o tablet para ler. Peguei o Kindle 10ª Geração — que uso há anos —, guardei na gaveta e passei a depender exclusivamente do Galaxy Tab S9 FE+, com One UI 8.5, para todas as sessões de leitura. A ideia era descobrir, na prática, se um tablet consegue substituir um e-reader no cotidiano — e se os preços cada vez mais altos dos Kindles, que hoje chegam a R$ 3.899 no modelo Scribe Colorsoft, justificam ter um aparelho dedicado só à leitura.
A resposta não é simples, e passou por cansaço visual, questões de ergonomia e muito modo avião. Nas linhas a seguir, relato como foi a minha experiência, o que mais gostei e o que menos gostei na troca, além de contar se recomendo sair de um e-reader dedicado à leitura para um tablet. Confira.
Troquei meu Kindle por um tablet — e isso foi o que aconteceu — Foto: Arte/TechTudo Troquei meu Kindle por um tablet — e isso foi o que aconteceu
Veja os tópicos abordados nesta matéria no índice abaixo.
- Por que trocar o Kindle por um tablet?
- Como preparei o meu tablet para substituir o Kindle
- Cansaço visual
- Concentração e distrações
- Portabilidade e ergonomia
- O que eu mais gostei e o que menos gostei na experiência
- Afinal, vale a pena deixar o Kindle de lado?
Por que trocar o Kindle por um tablet?
O desafio veio do TechTudo, mas chegou num momento oportuno. Tinha comprado o Galaxy Tab S9 FE+ recentemente e, com a rotina mais caseira, percebi que passava mais tempo lendo em casa do que em deslocamento — o cenário ideal para testar se o tablet conseguia assumir o posto do e-reader. O Kindle foi parar na gaveta menos por obrigação e mais porque a pergunta já estava no ar.
A questão de fundo, no entanto, vale para muita gente além de mim. Com os Kindles ficando cada vez mais caros — o Paperwhite Signature Edition sai por cerca de R$ 1.100 — e a Amazon descontinuando os modelos mais acessíveis, investir em um aparelho que serve exclusivamente para ler é uma decisão que precisa se justificar. Este teste tentou responder exatamente isso.
Como preparei o meu tablet para substituir o Kindle
Antes de começar, sabia que o maior inimigo da experiência não seria a tela, mas a dispersão. O Kindle é um aparelho fechado, que não deixa escapatória — você abre, lê, fecha. O tablet, por padrão, é o oposto disso. A primeira medida foi desativar todas as notificações e ativar o modo avião durante as sessões de leitura. Não tenho redes sociais instaladas no aparelho, o que ajudou bastante a manter o ambiente limpo.
Para os livros em si, usei dois aplicativos: o Kindle, para o acervo que já tinha na conta da Amazon, e o leitor de PDF nativo do sistema. Os dois funcionam bem no tablet e têm opções de personalização de fonte, espaçamento e tema noturno — nada que o e-reader não ofereça, mas suficiente para uma leitura confortável.
Tablet e Kindle usados na experiência — Foto: Diego Cataldo/TechTudo A tela de 10,9 polegadas do Tab S9 FE+ é generosa — maior do que qualquer Kindle disponível hoje —, e isso tornou a leitura visivelmente mais confortável em termos de espaço e tamanho de fonte. O problema apareceu nas sessões mais longas. Após uma hora de leitura contínua, a luminosidade da tela começou a incomodar, mesmo com o brilho reduzido e o modo de leitura ativado. O e-ink do Kindle simplesmente não cansa da mesma forma — a tecnologia foi feita para isso.
Reduzi o brilho ao mínimo tolerável, ativei o filtro de luz azul e habilitei o modo noturno, o que ajudou a esticar um pouco mais o tempo sem desconforto. Mas, nas leituras noturnas especialmente, senti a diferença de forma clara: o Kindle não gera incômodos, o tablet continua parecendo uma fonte de luz apontada para o rosto.
Kindle permite ler no escuro com conforto — Foto: Divulgação/Amazon Concentração e distrações
Com o modo avião ativo e sem redes sociais no aparelho, achei que a concentração não seria problema — e, na maior parte do tempo, não foi. O que não esperava era que a própria interface do Android funcionasse como distração passiva. Ver a barra de status com a hora, a bateria e os ícones do sistema já é informação suficiente para quebrar o ritmo de uma leitura mais imersiva.
No Kindle, a interface desaparece. A tela é o livro, e só. No tablet, mesmo com tudo configurado para minimizar interrupções, há sempre algum elemento visual competindo com o texto. Não cheguei a largar capítulos no meio por conta das distrações — mas percebi que precisava de um esforço consciente para manter o foco que, no e-reader, vem naturalmente.
Com múltiplos aplicativos, tablet favorece distrações — Foto: Ana Letícia Loubak/TechTudo Portabilidade e ergonomia
O meu Kindle pesa 174 gramas e cabe em qualquer bolsa — até mesmo em uma ecobag. Carregá-lo no transporte público, segurar com uma mão em pé no metrô ou jogar na mochila sem pensar duas vezes são coisas que fazem parte do uso sem nenhum atrito. O Tab S9 FE+, com seus 523 gramas e a capa protetora, é outra conversa. Não é pesado a ponto de ser um problema, mas ocupa espaço e pede atenção.
Por outro lado, a capa com suporte embutido revelou uma vantagem inesperada: consigo deixar o tablet "armado" em pé sobre a mesa, o que torna a leitura sentado muito mais confortável do que segurar o Kindle na mão por tempo prolongado — e elimina o problema de ficar com o pescoço curvado. Em casa, com uma superfície disponível, o tablet ganhou pontos que o e-reader simplesmente não tem como disputar.
O que eu mais gostei e o que menos gostei na experiência
O destaque positivo foi a tela. Ler em uma superfície maior, com mais espaço para respiração do texto, é genuinamente mais agradável — especialmente para livros com mapas, imagens ou formatação mais complexa. O tablet também é visivelmente mais rápido que o Kindle para virar páginas, abrir o aplicativo e navegar pelo acervo. Depois de anos com o lag característico do e-ink, essa fluidez faz diferença.
O que menos gostei foi o cansaço visual nas sessões longas e a sensação constante de estar usando um aparelho que foi projetado para outra coisa. O tablet tolera a leitura; o Kindle foi feito para ela. Essa diferença de propósito aparece em detalhes pequenos o tempo todo — e, somados, pesam.
Com tela maior, tablets oferecem mais espaço para leitura — Foto: Amanda Zola/TechTudo Afinal, vale a pena deixar o Kindle de lado?
Depende do perfil de uso. Para quem lê principalmente em casa, com uma mesa disponível e sessões sem pressa, o tablet é uma alternativa real — e em alguns aspectos até superior, pela tela maior e pela versatilidade de fazer outras coisas no mesmo aparelho. Se você já tem um tablet e está em dúvida se precisa de um Kindle, a resposta honesta é: talvez não.
Mas se a leitura acontece muito em deslocamento — no transporte público, em filas, na academia —, o Kindle ainda não tem substituto prático. Ele é leve, cabe em qualquer lugar, não cansa a vista e dura semanas com uma carga. Para esse perfil, pagar pelos modelos mais caros pode até fazer sentido. O tablet, embora repleto de vantagens, só não me convenceu como companheiro de leitura fora de casa — e essa, no fim, é a principal função de um Kindle.
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3 dias atrás
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