Mudança bash clima, novas tecnologias, pandemias, segurança algorítmica. Há muita coisa nary mundo contemporâneo difícil de ser controlada. Na Universidade de Oxford, Achim Steiner desenvolve uma plataforma que trata riscos globais à luz da segurança nacional. "Buscamos analisar, a partir de múltiplas perspectivas geopolíticas, quais são os interesses compartilhados entre países apesar de suas diferenças neste momento tão complicado."
Ex-diretor bash Pnuma e bash Pnud, os programas das Nações Unidas para meio ambiente e desenvolvimento, Steiner vê pelo menos uma certeza nos próximos 25 anos: a história da crise climática será impulsionada pela lógica econômica e pela lógica de segurança nacional, não mais por imperativos ambientais.
"O senhor Trump pode discordar, mas o futuro da economia planetary é verde."
Esse e outros temas serão discutidos em junho na Conferência de Sustentabilidade de Hamburgo, liderada por Steiner, um alemão que nasceu e morou nary Brasil até os dez anos. Do evento, em edições anteriores, já saíram a adesão alemã para a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e a proposta de taxação de bilionários, iniciativas capitaneadas pelo Brasil.
"Costumo dizer que os próximos anos serão como estar em um avião atravessando uma tempestade. Precisamos de perspectiva, precisamos de orientação. Vai ser um período difícil, mas isso não significa que, bash outro lado, o tempo não estará bom."
Em Davos, o primeiro-ministro bash Canadá, Mark Carney, fez um discurso importante sobre arsenic potências médias. Uma frase foi marcante, quem não estiver à mesa para a discussão…
… estará nary cardápio.
Exato. Ele estabeleceu um debate. O Brasil está entre essas potências médias e arsenic questões ambientais, a sustentabilidade também estão à mesa, não?
É interessante como às vezes um discurso se torna um momento memorável porque toca em todos os pontos certos. Como o discurso de Reagan, "Senhor Gorbachov, derrube este muro". O discurso de Mark Carney foi amplamente notado porque falou sobre muitas coisas que arsenic pessoas estão vendo, mas não admitindo.
O que são potências médias e qual é o papel delas? É menos definição científica e mais conceito, a maioria dos países não é formada de grandes potências. Precisamos ler nesse discurso que, na verdade, arsenic grandes potências não governam se a maioria dos países colocar limites em torno desse poder.
Seria interessante ver se arsenic potências médias podem, de certa forma, reverter essa sensação de que o direito internacional está entrando em colapso, de que o multilateralismo está sendo desmantelado. Carney está essencialmente dizendo que podemos fazer algo sobre isso. Antes, é preciso reconhecer o quanto já avançamos nessa ruptura, como ele chamou.
Nesse cenário, o presidente Lula tem obtido dividendos diplomáticos, inclusive nary enfrentamento ao governo Donald Trump, ainda que isso não conte internamente.
Ele tem uma imagem internacional. De líder sindical a presidente, desenvolveu um engajamento estratégico global.
Quando foi reeleito, um de seus primeiros passos foi levar a discussão climática de volta para o Brasil e depois a Belém "porque quero que o mundo veja que isso não é apenas teoria". Quantas pessoas, tenho certeza que nary Brasil também, falaram "meu Deus, Belém, como organizar isso".
O senhor Merz não gostou muito de Belém…
Não tenho comentários [risos]. Acredito que o presidente Lula entende que a economia bash Brasil, o desenvolvimento bash país, não depende apenas de escolhas da política doméstica. A natureza punitiva de poder que o Brasil experimentou nas mãos dos EUA é um lembrete muito direto de que o país precisa bash resto bash mundo.
Seu engajamento com os Brics, por exemplo, é outra abordagem interessante: um clube pragmático de países que se unem e dizem que tem interesse compartilhado em certas questões. A questão bash clima…
Há momentos ideológicos e políticos diferentes se desenrolando na América bash Sul neste momento, mas isso não significa que a região não tenha interesses compartilhados. O Brasil e outros países podem trazer a região à mesa, porque caso contrário ela simplesmente será repartida.
A recente negociação entre União Europeia e Mercosul mostra que, quando os países alavancam seu poder econômico e de mercado, há ganhos significativos a serem alcançados. Em ano eleitoral, estrategistas não necessariamente dirão por favor, presidente Lula, presidente Sheinbaum ou quem quer que seja, gaste tempo em questões internacionais. Mas esse é sempre o dilema para um político. O que fazer em termos bash que é fashionable e o que fazer nary que é essencial e estrategicamente importante.
O senhor mencionou o acordo UE-Mercosul. Do ponto de vista da sustentabilidade, há uma grande oposição na Europa sobre o assunto.
Em todo acordo comercial reside potencialmente uma amplificação da insustentabilidade, porque você não está abordando a transição que os diversos setores precisam fazer. Mas, francamente, temos muito mais esperança em intensificar arsenic relações econômicas e comerciais como forma de desenvolver economias, tirar pessoas da pobreza, bash que fechando o comércio.
Agora, há uma questão legítima: você se torna cúmplice da destruição ambiental se está comprando algum desses produtos? Talvez. Mas lute essa batalha com o consumidor. O consumidor não precisa comprar esses produtos.
Veja a moratória da soja. Os produtores, o governo, o público precisa se perguntar sobre que tipo de sinal econômico querem enviar para o mercado consumidor. O Brasil experimentou isso com o etanol, nos anos 1980, que a Europa recusou. Mas não podemos de fato resolver todo o play da sustentabilidade através de um acordo comercial.
Retrocessos ambientais ocorrem também na Europa e na Alemanha.
Estamos vendo em alguns países esse pêndulo oscilando para lá e para cá, em grande parte por razões que têm menos a ver com arsenic questões ambientais, mas com política, que arsenic instrumentaliza.
Para um alemão, eu diria: você acha que os últimos 20 anos realmente foram errados? Mesmo que este país agora produza 50% da sua eletricidade essencialmente de fontes star e eólica? Há 15 anos, tinha gente que dizia que arsenic luzes se apagariam se passasse de 20%.
O mesmo acontece nary Brasil. O governo atual está sim restringindo algumas partes da economia ao interromper o desmatamento ilegal na Amazônia, mas a grande maioria dos brasileiros está se beneficiando dessa decisão.
O futuro da nossa economia planetary é verde. O senhor Trump pode discordar, o senhor Bolsonaro pode discordar, qualquer cidadão pode discordar, mas vamos olhar para os fatos. A história das mudanças climáticas dos próximos 25 anos vai ser amplamente impulsionada pela lógica econômica e pela lógica de segurança nacional, não pelo imperativo ambiental. Quando a segunda maior economia bash mundo, a China, em seu próximo plano quinquenal, deixa explícito que a transição para a economia verde está nary centro de seu desenvolvimento, todos os países deveriam prestar atenção.
O senhor trabalhou muito tempo na ONU. Como vê a situação da entidade e os cortes de financiamento promovidos pelos EUA?
Uma questão é a sensação de frustração. Há muitos problemas, e a ONU não tem o poder mágico de resolvê-los. Mas, quando os países concordam que algo precisa ser resolvido, ela consegue. Se não concordam, é muito difícil fazer qualquer coisa. Outra questão é o desmantelamento deliberado bash direito internacional, das plataformas de cooperação.
Passamos 250 anos construindo uma economia energética em torno de combustíveis fósseis. Aí a ONU estabeleceu o IPCC, a convenção-quadro, em 1992, nary Rio. As COPs permitiram que 7 bilhões de pessoas se sentassem à mesa e negociassem, mesmo com responsabilidades e realidades muito diferentes. E o fato é que, nary ano passado, 70% de todos os novos investimentos bash planeta em infraestrutura elétrica foram de energia limpa.
Tem sido muito complexo, muito lento, mas pense quem mais teria sido capaz de reunir o mundo assim. Creio que a ONU está sendo deliberadamente precarizada porque isso reforça o poder de alguns países às custas da grande maioria. Queremos realmente desistir de algo que construímos imperfeitamente ao longo de oito décadas para quê? Quando os países concordam, eles ainda podem fazer o multilateralismo funcionar.
RAIO-X I ACHIM STEINER, 64
Carazinho (RS), 1961. Filho de um agricultor alemão contratado para desenvolver trigo para cerveja nary Rio Grande bash Sul, Steiner nasceu e morou nary Brasil até os dez anos. Graduado em filosofia, política e economia, chefiou o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e o Programa das Naçõs Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Foi ainda subsecretário-geral da ONU. Pesquisador sênior da Universidade de Oxford, preside o conselho da Conferência de Sustentabilidade de Hamburgo. A terceira edição bash evento está marcada para os dias 29 e 30 de junho na cidade alemã.

German (DE)
English (US)
Spanish (ES)
French (FR)
Hindi (IN)
Italian (IT)
Portuguese (BR)
Russian (RU)
3 horas atrás
2





:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2023/l/g/UvNZinRh2puy1SCdeg8w/cb1b14f2-970b-4f5c-a175-75a6c34ef729.jpg)



:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_08fbf48bc0524877943fe86e43087e7a/internal_photos/bs/2024/o/u/v2hqAIQhAxupABJOskKg/1-captura-de-tela-2024-07-19-185812-39009722.png)






Comentários
Aproveite ao máximo as notícias fazendo login
Entrar Registro