O supremacista branco Donald Trump pretende fraudar as eleições de meio de mandato deste ano nos Estados Unidos.
Durante a invasão do Minnesota pela milícia ICE, o governo Trump ofereceu às autoridades estaduais condições para interromper a matança nas ruas. Entre elas estava a entrega, para autoridades federais, dos registros de eleitores do Minnesota.
Isso seria altamente irregular. As eleições americanas são organizadas pelos estados. Não há uma autoridade central que as organize, não há sequer o equivalente de nossa Justiça Eleitoral. Sempre foi assim, e é consistente com os princípios de um país que, afinal, se chama "Estados Unidos".
O objetivo declarado de Trump é passar um pente-fino nas listas de eleitores para impedir que imigrantes ilegais votem. Até aí, você pode dizer: beleza, ué. Os imigrantes ilegais não têm mesmo o direito de votar.
Mas eu te responderia com outra pergunta: eles têm votado?
Faça o seguinte: vá ao site da Heritage Foundation, o think tank trumpista que redigiu o famoso Projeto 2025, o plano autoritário que Trump vem colocando em prática no segundo mandato, descrito no ótimo livro "O Projeto", de David Graham (Zahar, 2025).
A Heritage mantém um site que cataloga casos de fraude eleitoral ocorridos nos Estados Unidos desde os anos 80. É possível pesquisar neste banco de dados. Vá lá e coloque, em "Keywords" ("palavra-chave") o termo "alien" (estrangeiro, não cidadão).
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O resultado da busca são 41 casos em que imigrantes ilegais votaram nos Estados Unidos entre 2003 e 2006. O Bipartisan Policy Center (BPC) revisou os registros da Heritage manualmente e encontrou 77 casos em que não cidadãos votaram entre 1999 e 2023. Um outro estudo do BPC, analisando 23,5 milhões de votos da eleição de 2016, encontrou apenas 77 exemplos (entre 136 milhões de pessoas que votaram) em que não cidadãos votaram.
Ou seja, para todos os propósitos práticos, o número de imigrantes ilegais nas eleições americanas é arredondável para zero. E é fácil entender por quê. Para votar ilegalmente, você precisa enganar uma autoridade quando se registra e outra no dia da eleição. Imigrantes ilegais, naturalmente, evitam o contato com as autoridades, especialmente as que têm propensão a pedir documentos.
Portanto, Trump não quer nacionalizar a contagem dos votos –como ameaçou fazer semana passada– para corrigir esse problema inexistente. O plano, parece óbvio, é inventar uma mutreta para reclassificar cidadãos americanos como eleitores irregulares.
Na eleição em que perdeu em 2020, Trump foi gravado ordenando que o secretário de estado da Geórgia "encontrasse" os 11.780 votos que lhe garantiriam virar o estado a seu favor. O secretário, um republicano honesto, recusou-se a participar da fraude.
Após anos de completo aparelhamento do Partido Republicano –que controla o Congresso e a Suprema Corte–, Trump sabe que seus novos subordinados não terão dificuldades para "encontrar" votos na próxima eleição.
Afinal, quem se recusar pode se deparar com a fúria da base trumpista. E ela já aprendeu, com a anistia aos invasores do Capitólio, que qualquer crime que cometa será perdoado pelo presidente.

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