A Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) elegeu nesta quinta-feira (26) o deputado Douglas Ruas (PL) como novo presidente da Casa, em uma votação marcada por questionamentos jurídicos e que pode levar o estado a ter o terceiro governador em exercício em menos de uma semana.
Único candidato na disputa, Ruas recebeu 45 votos, sem abstenções, em votação aberta no plenário.
"Todos nós sabemos que o estado do Rio passa por um momento de excepcionalidade jamais visto antes. É nesse momento que a gente vê quem tem compromisso com os cidadãos do estado do Rio de Janeiro. (...) Recebo a missão com muito orgulho e responsabilidade, e independentemente de ideologia partidária e posicionamento político, todos os parlamentares terão dessa presidência o diálogo aberto", afirmou o presidente.
A eleição foi convocada no fim da manhã pelo presidente em exercício da Casa, Guilherme Delaroli (PL), e ocorreu em meio a uma ofensiva judicial de partidos de oposição para tentar barrar o pleito.
O novo presidente substitui Rodrigo Bacellar (União Brasil), que teve o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral por seis votos a um, no mesmo julgamento que também atingiu o ex-governador Cláudio Castro (PL), no caso Ceperj.
A aceleração da eleição ocorre em meio a um temor da bancada do PL de perder cadeiras na Alerj após a retotalização dos votos pelo Tribunal Regional Eleitoral, marcada para a próxima terça-feira (31). Bacellar foi eleito pela sigla e obteve cerca de 97 mil votos, cuja anulação pode impactar o cálculo do quociente eleitoral e a distribuição de vagas entre os partidos.
O Partido Social Democrático (PSD), legenda do prefeito do Rio, Eduardo Paes, ingressou com um mandado de segurança no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro para tentar suspender a eleição.
A ação, assinada pelo decano da Casa, Luiz Paulo (PSD), sustenta que o TSE determinou a "retotalização imediata dos votos para deputado estadual" ao cassar Bacellar, o que ainda não foi cumprido. Para o partido, a ausência dessa recontagem tornaria a eleição ilegal.
"Os partidos de oposição estão indo à Justiça, pedindo liminar para suspender a realização da eleição. […] Como discordamos profundamente da forma como foi convocada a eleição para presidente, nós não iremos aprovar. São 23 partidos unidos em protesto", afirmou Luiz Paulo.
Apesar da ofensiva, a eleição foi mantida.
Efeito no governo
A escolha de Ruas ocorre em meio a uma crise institucional no estado. Desde segunda-feira (23), o governo do Rio é comandado pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, que assumiu após uma sequência de vacâncias na linha sucessória.
Castro renunciou ao cargo na tentativa de evitar a cassação —estratégia que não foi aceita pelo TSE, que manteve a condenação e o declarou inelegível por oito anos. O vice, Thiago Pampolha, já havia deixado o posto em 2025 para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado.
Com a eleição, Ruas passa a ser o primeiro na linha sucessória do governo estadual, o que pode levar a uma nova mudança no comando do Palácio Guanabara.
A realização da eleição antes da retotalização dos votos também foi alvo de críticas dentro da própria Alerj. Parlamentares apontam que a recontagem pode alterar a composição da Casa e, consequentemente, o universo de votantes.
A decisão da Assembleia ignorou o alerta do próprio presidente do TJ-RJ, Couto, que sugeriu cautela e defendeu que a definição dos novos deputados poderia impactar o processo.
Deputados favoráveis à votação imediata, por outro lado, argumentaram que há precedente para a realização do pleito mesmo com a composição incompleta.
O deputado Felipe Paulbel (PL) citou a eleição de André Ceciliano (PT), em 2019, quando cinco parlamentares estavam presos na Operação Furna da Onça.
"Já abrimos essa brecha. […] Isso criou um precedente para votarmos com 69 deputados", afirmou.
A decisão de realizar a eleição, apesar dos alertas, amplia o risco de judicialização do processo e pode levar a novas disputas no Supremo Tribunal Federal sobre a validade do resultado e, consequentemente, sobre quem deve comandar o estado.

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