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Diretor diz que Artemis 2 viverá 13 minutos cruciais: 'Temos de acertar'

Jeff Radigan detalha processo de reentrada da cápsula na atmosfera
Jeff Radigan detalha processo de reentrada da cápsula na atmosfera Imagem: RONALDO SCHEMIDT / AFP e Nasa

Os quatro astronautas que voaram ao redor da Lua na Artemis 2 da Nasa estão quase em casa, mas uma das partes mais perigosas e tensas da missão ainda está por vir.

O que aconteceu

No caminho de volta, a cápsula Orion faz uma passagem intensa e crítica pela atmosfera da Terra. A espaçonave está programada para começar a mergulhar na atmosfera por volta das 20h53 (horário de Brasília) em uma jornada que deve durar menos de 15 minutos.

O plano de reentrada exige que a Orion mantenha um trajeto extremamente preciso. Os controladores de missão passaram o último dia e meio mantendo a espaçonave no curso correto, realizando queimas de motores necessárias para manter sua trajetória no ângulo ideal.

Vamos direto ao ponto. Precisamos acertar o ângulo corretamente, caso contrário, não teremos uma reentrada bem-sucedida (...) São 13 minutos em que tudo precisa dar certo.
Jeff Radigan, diretor de voo da Artemis 2 da Nasa, ontem em comunicado à imprensa

A reentrada é sempre uma das partes mais arriscadas de um voo espacial. Os veículos podem ser expostos a temperaturas de aproximadamente 2.760°C enquanto atravessam a atmosfera.

A polêmica do escudo térmico

O escudo térmico da espaçonave Orion — a camada crítica de proteção térmica na base que protege os astronautas de temperaturas extremas — tem falhas conhecidas em seu projeto, segundo reportagem da NBC News. A missão atual, inclusive, representa a primeira vez que a cápsula leva uma tripulação.

Na missão Artemis 1 em 2022, em um voo de teste não tripulado, a Nasa encontrou danos inesperados no escudo térmico da espaçonave. Uma investigação descobriu posteriormente que parte do material do escudo térmico rachou durante a reentrada atmosférica.

O escudo térmico da Artemis 2 é o mesmo que deu problemas em 2022. Em vez de refazer o escudo, a Nasa elaborou um trajeto modificado para a reentrada da cápsula, a fim de minimizar o risco aos astronautas.

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A espaçonave Orion deve mergulhar na atmosfera e depois "pular" novamente — como uma pedra quicando na superfície da água — para reduzir o estresse térmico e as forças G na cápsula. Mas Amit Kshatriya, administrador associado da Nasa, disse que desta vez o "quique" será breve e a cápsula descerá mais rápido e em um ângulo mais íngreme para minimizar o tempo de exposição às temperaturas mais extremas.

Ex-astronauta da Nasa fez alerta

Charlie Camarda, ex-astronauta da Nasa, expressou publicamente preocupações sobre o escudo térmico. Ele disse que a agência norte-americana não deveria ter lançado a missão Artemis 2 com o projeto existente.

A história mostra que acidentes ocorrem quando organizações se convencem de que entendem problemas que não entendem. Este problema apresenta os mesmos padrões que precederam catástrofes passadas.
Charlie Camarda, ex-astronauta da Nasa, em carta aberta ao administrador da Nasa, Jared Isaacman

Como será o pouso?

Reentrada acontece em altíssima velocidade e transforma a cápsula em uma "bola de fogo" vista do solo. A Orion deve atingir cerca de 40 mil km/h na alta atmosfera e o atrito aquece o exterior a mais de 2.800°C, enquanto o interior é mantido em torno de 23°C.

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Escudo térmico é o item que mais sofre na descida e será colocado à prova no momento de maior risco. A reentrada é uma fase de alto risco, porque o calor e as forças aerodinâmicas testam o material de proteção da cápsula e a precisão do ângulo de entrada.

Paraquedas entram em ação em sequência para frear a cápsula até a velocidade de queda no mar. Três paraquedas são abertos para reduzir a velocidade, que cai para cerca de 30 km/h antes da amerissagem no Pacífico.

Amerissagem deve ocorrer na costa sul da Califórnia, com resgate por navios e aeronaves. O pouso está previsto para as 21h07 (de Brasília) nesta sexta-feira, e o planejamento da Nasa aponta uma queda no mar perto de San Diego, com navio preparado como hospital, além de helicópteros e barcos menores posicionados para a operação.

Após a cápsula tocar a água, equipes se aproximam e abrem a escotilha para avaliar a tripulação. A Nasa acompanha a trajetória para estimar o ponto de queda e, cerca de três minutos depois do pouso, ocorre a aproximação para checagem dos astronautas e retirada da cápsula.

Primeiros minutos fora da nave costumam ser de adaptação, com os astronautas deitados e sob observação. Depois de dias em microgravidade, a tripulação passa por exames, fica em observação e inicia reabilitação física para recuperar força, equilíbrio e a rotina de caminhar.

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