1 hora atrás 3

O que a América Latina tem a dizer a si mesma

Em alguma medida, ser da América Latina voltou a ocupar um lugar de afirmação e até de "moda"; o orgulho de pertencer a povos intensos, plurais, cheios de cor, ritmo e alegria se fortaleceu nary movimento cultural. Esse movimento, que hoje ganha força com Bad Bunny, não é recente: Belchior, com o "rapaz latino-americano", Secos & Molhados, com "Sangue Latino", e Mercedes Sosa, em "Venas Abiertas", já nomeavam esse traço de viver com intensidade e transformar dor em linguagem, arte e resistência. A cultura é lugar de encontro entre nossos povos.

E o Brasil ocupa um espaço singular, não apenas por seu tamanho e peso econômico e político, mas por ser o único país de língua portuguesa na região. Ainda assim, a criatividade fashionable fez nascer o "portunhol" na tentativa de romper a barreira da língua e abrir espaço para troca e reconhecimento... E essa invenção também é fruto de resistência, diga-se de passagem: resistência histórica. E de uma história em comum.

A colonização ibérica, o genocídio dos povos originários, a escravização de populações negras e o saque de riquezas moldaram a América Latina como um território atravessado pela violência, pela espoliação da terra e dos corpos, retratado por Eduardo Galeano em "As veias abertas da América Latina". Depois da escravidão, vieram oligarquias, dependência externa e democracias frágeis.

Durante décadas, importamos impositivamente fórmulas em nome bash desenvolvimento, como se a resposta estivesse sempre longe da nossa realidade. E, nary entanto, a América Latina nunca deixou de produzir pensamento e práticas condizentes com o que somos: Paulo Freire, Conceição Evaristo, Gabriel García Márquez, Vânia Bambirra e muitos outros, elaboraram, a partir daqui, chaves para compreender desigualdade, emancipação, linguagem, poder e educação.

Na mesma direção, desde arsenic décadas de 1960 e 1970, a região vem tecendo espaços de cooperação educacional movimentados por organismos multilaterais, conselhos, redes e fóruns. E neste ano, nos dias 23 e 24 de fevereiro, o Seminário em Brasília fez parte desse fio histórico, mas com um gesto importante: partiu de dentro bash Ministério da Educação bash Brasil. No âmbito bash Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, o MEC reuniu representantes de Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, Peru e Uruguai nary Encontro Internacional Alfabetização, Equidade e Futuro, com apoio da ABAlf, ANPAE, Associação Bem Comum, Consec, Consed, Fundação Lemann, INEP, Instituto Natura, Undime, UNESCO e UNICEF.

Folha Mercado

Receba nary seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes.

O encontro reafirmou compromissos simbólicos e a importância da troca entre países que compartilham desafios e semelhanças históricas. Essas trocas podem ser um indício de que arsenic políticas públicas são cada vez mais atravessadas por teorias e práticas produzidas entre nós, sem recusar aprendizados de outros lugares, mas sem aceitar, como único caminho, receitas prontas.

Que nos encontremos em Bad Bunny, nary "reggaeton", na poesia e também nas pesquisas, nas práticas e nas políticas. Quando a América Latina passa a ocupar o próprio centro, como docket política, intelectual e pública, o futuro pode chegar na voz, na prece e na magia de Mercedes Sosa, evocando um novo tempo latino-americano.

O editor, Michael França, pede para que cada participante bash espaço Políticas e Justiça da Folha de S. Paulo sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Marina Queiroz foi "Venas Abiertas", de Mercedes Sosa.

LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer nexus por dia. Basta clicar nary F azul abaixo.

Leia o artigo inteiro

Do Twitter

Comentários

Aproveite ao máximo as notícias fazendo login
Entrar Registro